sobre perspectiva

Depois de ficar muito tempo deitada sob o sol quando abro os olhos vejo o mundo ao meu redor sob uma luz azul, depois em preto e branco e só depois de alguns minutos minha visão volta ao normal.

Não sei explicar esse acontecimento biológico mas é sempre uma experiência interessante. Ver o mundo – literalmente – com outras cores é sempre uma coisa curiosa. É quase como atualizar aquela página esperando que a informação que queremos ver apareça, mas ao invés de uma informação o que aparece é um lembrete de que nada é realmente de um jeito ou de outro, as coisas estão de um jeito e por estarem desse jeito podem ser diferentes também.

Desde que comecei a meditar eu venho mudando, ainda que pareça imperceptível aos olhos dos outros, eu sinto o meu eu cada vez mais maleável, mais calmo. É uma sensação boa, mas é um processo tão lento que se não prestar atenção não se percebe nada mesmo.

Não vou tentar aqui olhar 2020 por uma luz positiva, mas das coisas que comecei a fazer durante nossa “quarentena” para manter a sanidade… Meditar foi de longe a mais benéfica pra mim. E aos poucos venho tentando compartilhar o que eu aprendo, procurando ajudar aqueles mais próximos de mim a encontrar um momento de paz, a repensar algumas atitudes e pensamentos, nem sempre a mensagem chega mas é algo que faço sem pretensão… Afinal o primeiro passo ninguém pode dar pela gente.

Ter a coragem de mudar, de assumir nossas falhas e ao invés de criticar, procurar entender o que as causam e a partir daí começar a mudar, a passos tão lentos que parece que nem saímos do lugar. Aprendi a ser mais honesta comigo, a aceitar minha situação atual por mais que eu não goste ou esteja feliz com ela, mas é a realidade, tenho que lidar com ela de algum jeito.

E é aceitando isso que consigo começar a mudar, aos poucos ou com 20 segundos de uma coragem insana.

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coisas que sinto falta sobre o escritório (ou não)

Ontem eu tive que ir ao escritório da empresa onde trabalho para resolver algumas coisas e enquanto estava lá, enquanto estou me aproximando do 5º mês de home office por conta dessa quarentena – e todos os posts de 2020 vão ter essa coisa terrível como pano de fundo – posso dizer com certeza que existem algumas coisas que tinha no escritório e não tenho aqui e que me fazem falta:

  • Silêncio. A possibilidade do escritório inteiro ficar no mais absoluto silêncio, sem vizinho chato falando alto, sem cachorro latindo, sem minha mãe falando alto com os alunos dela ou a obra do outro vizinho.
  • Arquivo. Minha empresa só tem base de dados digitalizada no servidor de 2015 para frente, mas como muitos membros dos grupos técnicos estão colaborando com a associação há mais tempo vira e mexe surge a necessidade de puxar alguma informação ou documento do começo da década e não ter essa facilidade muitas vezes é um saco. 
  • Respeito pelo horário. Sabe aquele senso comum de que no home office trabalhamos mais porque perdemos aquele senso de blocos de horário? Horário para chegar, horário de almoçar, horário de sair. No home office como a gente não tem nada para marcar isso, tem sido muito comum receber mensagens ou ligações pedindo para fazer isso ou aquilo enquanto almoço (claro que eu geralmente espero para terminar o horário certo, mas nem sempre rola), ou perceber que passei do expediente esperando a resposta de algum e-mail. 

Agora outras coisas que o home office – ainda que forçado – me proporcionou e que com certeza farão falta quando eu tiver que voltar:

  • Dormir. Atualmente meu expediente começa as 08h30, então acordar 1 hora antes só e poder fazer toda a minha rotina matutina com calma antes de logar no computador ta sendo ótimo. Antes para estar no trabalho (antes) das 8h eu tenho que sair de casa às 6h/6h30 para aproveitar a carona com a minha mãe e nunca rolava as oito horas de sono que a gente sabe que precisa. 
  • Flexibilidade para fazer outras coisas. Alguns dias no trabalho são absolutamente tediosos e consigo completar minha to-do list logo pela manhã o que me deixa com a tarde livre. No escritório, usando o computador – velho e lento – da empresa eu fico muito limitada ao que posso fazer nos meus projetos pessoais, poder usar meu notebook que é melhor me dá a chance de escrever posts para o blog, editar projetos de design, fazer exercícios ou simplesmente ir pra varanda dos meus pais ver a vida passar e isso é muito bom. 
  • Comodidade de ficar em casa. Também conhecida como não ter que aguentar o transporte público em horário de pico, principalmente se o metrô tem alguma falha 5 minutos antes de você sair do trabalho e ter que esperar 758 trens passarem pra você conseguir entrar e ir feito uma sardinha enlatada com o resto do proletariado. Ou ter uma cadeira boa para sentar, uma escrivaninha com espaço suficiente para se organizar e etc.  

Claro que eu tenho muita sorte de ter mantido meu emprego e ter a possibilidade de trabalhar de casa, evitando me expor ao vírus, mas confesso que se fosse em situações normais eu ainda preferiria a opção de trabalhar em casa mais dias da semana do que no escritório. Infelizmente minha posição atual não me possibilita isso em condições normais, por isso vou aproveitando enquanto posso. 

27 coisas sobre mim

Esse post originalmente ia ser feito para o meu aniversário de 24 anos, lá em 2017, achei o draft e resolvi ler a lista para ver o que mudou e o que continuava verdade… Lendo eu lembrei do lugar em que estava  em 2017, não literalmente mas emocionalmente, lembrei das motivações que me fizeram escrever alguns itens e dei risada porque, como sempre, eu já não reconhecia mais a Alessandra que escreveu aquilo. Os dois parágrafos abaixo também foram escritos pela Alê de 24 anos.

A verdade é que todo mundo tem uma – ou várias – coisas esquisitas ou nem tanto assim que sempre fez e simplesmente não consegue, ou quer, mudar. Sou daquelas que acredita que são esses hábitos que formam o que somos e interfere em como nos relacionamos e com quem nos relacionamos.

E listar alguns dos nossos perks é divertido porque além de ser uma reflexão é um jeito de nos conectarmos com outras pessoas, quantas vezes você já não leu algum post e ficou “meu deus, isso sou eu!”? Pois é.

Dito isso, vamos às 16 coisas sobre uma Alê de 24 anos, comentados pela Alê com recém feitos 27 anos e 11 coisas não tão novas assim sobre essa mesma Alê.

  1. Eu odeio palhaços. Talvez seja um trauma adquirido por culpa de IT, mas sempre odiei e tive um certo medo deles. (ainda é verdade)
  2. Todos os ganchos dos cabides do meu guarda roupa tem que estar virados pra dentro e eu fico muito brava quando algo está pendurado com o gancho pra frente. (ainda é verdade)
  3. Às vezes eu faço todo uma linha de raciocínio em inglês e depois fico me matando pra explicar em português. #firstworldproblems. (ainda é mais ou menos verdade)
  4. Faz uns dez muitos anos que ouço sempre as mesmas músicas das mesmas bandas, a única banda mais nova que me conquistou foi Imagine Dragons lá em 2014 (acho)Mas ultimamente tenho procurado e achado muita coisa legal pra ouvir.
  5. Eu, absolutamente, não sei flertar. Mas isso não parece ser problema quando a situação é propícia. (ainda é verdade)
  6. Recentemente descobri que quando a balada é de música indie ou pop anos 90/00 eu não tenho problemas de ficar 6 horas num ambiente com música alta demais e poucos lugares pra sentar. Aprendi a aceitar que prefiro rolês tranquilos, num bar/restaurante ou em casa e que só encaro uma balada numa vibe muito específica.
  7. Odeio muito quando estou falando alguma coisa e uma pessoa começa a falar em cima de mim. (ainda é verdade)
  8. Sou mais desapegada emocionalmente do que imaginava. (só vira verdade depois de alguma decepção)
  9. Eu realmente não gosto de filmes românticos melosos e isso não tem nada a ver com a minha vibe. (mentira, amo suspirar por amores impossíveis até hoje)
  10. Sempre sou atraída por coisas que estão além do meu poder de compra (e isso é uma merda)(ainda é verdade)
  11. Sou teimosa pra caralho. Tipo muito mesmo.(ainda é verdade)
  12. Não consigo ouvir música enquanto leio, meu cérebro começa a prestar atenção nas duas coisas e acaba não prestando atenção em nada.(ainda é verdade)
  13. Por outro lado adoro ouvir música enquanto trabalho com imagens o que é problemático quando quero editar vídeos e ouvir música ao mesmo tempo. (ainda é verdade, mas eu não gravo/edito mais vídeos)
  14. Meu orgulho muitas vezes me impede de admitir que estou/fiz algo errado e não me orgulho disso. (irônico, né?) (ainda é verdade, mas estou aprendendo a mudar)
  15. Amo séries policiais. Minhas preferidas são Bones e Criminal Minds e eu sonho com um crossover entre os dois departamentos do FBI que mais amo. (sonhava né? Porque Bones já acabou)(ainda é verdade, Brooklyn 99 no momento detém um grande espaço no meu coração)
  16. Eu não sei andar de salto, o que é triste porque sempre acabo me apaixonando por um sapato com o qual não sei andar. (ainda é verdade).
  17. Sempre tive medo de me posicionar em assuntos polêmicos, mas estou aprendendo sobre o que acontece e de qual lado quero estar.
  18. Ainda não tenho a mínima idéia de qual caminho profissional seguir e já perdi muitas noites de sono por causa disso.
  19. Perdi o hábito de ler e escrever mas são coisas que ainda estão muito perto do meu coração e não pretendo abrir mão delas (por isso esse blog).
  20. Completei o sonho de ter um quarto só meu, cem por cento meu, e isso me deixa extremamente feliz e agradecida.
  21. Tenho o péssimo hábito de começar mil projetos e não manter nenhum.
  22. Eu conto os meus amigos nos dedos de uma mão só, mas tenho um carinho grande e admiração por muita gente.
  23. Eu sou uma pessoa introvertida e tudo bem.
  24. Minha cor preferida é azul e minha estampa preferida são listras.
  25. Eu comecei a fazer Yoga em 2020 durante a quarentena.
  26. Eu gosto de tomar café com açúcar (e leite e canela de vez em quando)
  27. Eu nunca vou ser a mesma pessoa sempre.