ponto sem volta.

Meu instinto de sobrevivência não me deixa chegar ao fundo do poço.

Sempre que me sinto a ponto de perder tudo, alguma coisa no meu cérebro acende determinada a fazer qualquer coisa que me deixe melhor. O problema é quando eu volto a me sentir bem e confortável simplesmente deixo de fazer aquela coisa que me faz bem, e aí eu vou decaindo aos poucos até passar do ponto de “convém ligar na tomada” e aí meu cérebro entra no frenesi do bem estar de novo.

Como manter uma consistência e não deixar que isso seja um pico desesperado de auto cuidado? Não sei.

Só percebi nessa nova onda de que não importa quantos minutos eu medite, quantos exercícios diferentes eu faça, se eu já passei do ponto sem volta de saco cheio então é isso, não tem volta. Só resta mudar.

“Só” resta mudar.

Ah se fosse tão simples, rápido e fácil quanto falar.

Enquanto eu não consigo mudar veio aqui fazer um fluxo de consciência e perguntar se tem mais alguém aí nessa situação? Mais alguém que precisa mudar uma grande engrenagem da vida e ainda não sabe como fazer isso sem causar uma bagunça interminável. Meter o louco dessa vez não dá, então eu sigo, empurrando esse ponto sem volta até a hora de finalmente conseguir ultrapassar e começar uma outra trilha.

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meditação

Uma das coisas que comecei (e depois parei, e comecei de novo) durante a quarentena é a meditar. 

Eu, que sempre admiti que era uma pessoa inquieta demais tanto física quanto mentalmente, me peguei sobrecarregada durante esse momento louco que ainda estamos vivendo e resolvi me desafiar – literalmente – a praticar o ficar quieta, limpar a mente e tentar realinhar minhas energias que estavam totalmente bagunçadas. No começo foi tudo muito difícil mas conforme eu ia meditando mais fácil ia ficando, até que eu me senti bem o suficiente para não sentir tanta necessidade assim ou deixar a preguiça vencer mesmo quando eu senti que precisava. 

É engraçada essa coisa de criar hábitos porque no começo mesmo a gente vendo os efeitos positivos ainda tem aquela preguiça que se prolonga e quando vê já perdemos o hábito de novo. Se meditei quase todos os dias no primeiro mês da quarentena, passei os dois seguintes com preguiça até que minha inquietação começou a ficar grande demais de novo.

Meditar é um treco engraçado. É quase como dormir e estar acordado ao mesmo tempo e, se você assim como eu acredita em energias, quando você se concentra o suficiente dá pra sentir fisicamente a sua energia mudando. É uma prática boa e ainda que desafiadora procurei inserir ela na rotina que estou criando para mim. Já percebi que meditar de manhã é a melhor hora porque a cabeça ainda está descansada e fresca o suficiente para ajudar no “desligamento” do resto do mundo, o que também ajuda no foco e a direcionar o tipo de energia que queremos ter para o resto do dia. 

Por enquanto tenho feito meditações guiadas porque não tenho ainda a capacidade de me desligar totalmente sozinha. Estava mais focada em descobrir algum app de graça que tivesse uma seleção boa de meditações guiadas e encontrei o Insight Timer indicado pela Thais do Vida Organizada, mas já busquei também no Spotify e no Youtube principalmente meditações para energias positivas e foco para ajudar no trabalho. Só que é engraçado perceber as repetições nos guias das sessões de positividade, chega a ser risível ter uma pessoa falando todos aqueles quotes inspiracionais que a gente acha no pinterest em voz alta para você. Mas numa dessas sessões que termina com uma série de mantras me peguei segurando uma que conversou muito com o que tenho aspirado para a minha vida. 

essa eu postei no meu instagram (@ale.csrdesigns)

No mais, meditar tem me ajudado a cuidar da mente e do espírito mesmo apesar de tudo, e tem sido uma lanterna que ajuda a me guiar em caminhos tão nebulosos (nossa, que profundo). Sem falar que realmente ajuda a dormir melhor, a concentrar mais e a deixar o coração mais tranquilo.

these are a few of my favorite things

Falar que a vida não anda fácil é a mesma coisa que dizer que a terra é redonda.  Há quem ache que não e que é tudo intriga da oposição, mas é uma verdade incontestável.

Eu poderia fazer uma lista relativamente longa das coisas que ainda quero mudar porque não me satisfazem e dos problemas que não consigo resolver, mas outra verdade incontestável é que reclamar eternamente não vai mudar muita coisa. Por isso ando vendo a importância de celebrar – e agradecer – pelos momentos de alegria e plenitude por mais raros ou breves que eles sejam.

Lembrar que, apesar de difícil, viver é bom e experimentar as coisas do mundo fazem até as dores de cabeça valer a pena.

Conversar sobre a vida por horas a fio com um amigo querido, aproveitar o dia de sol depois de tanta chuva, conhecer um café novo num espaço gostoso, reencontrar pessoas que você viu pela última vez há uma década e capturar esses momentos numa foto. Coisas tão simples que tomamos por tão certas que quando não podemos ter ficamos desconcertados.

Esse post tinha um outro rumo antes do mundo entrar numa pandemia e todos se trancarem em casa (pelo menos os que tem esse privilégio). No entanto, apesar dos dias que já eram difíceis terem ficado ainda mais desafiadores, tentar manter uma atitude positiva ainda é um jeito de não enlouquecer. Encontrar abrigo emocional em coisas que nos trazem alegria é um jeito de lidar com a conjuntura mundial atual. Por isso vim compartilhar algumas das minhas coisas preferidas dentro de casa.

Fazer handletterig ou simplesmente escrever para limpar a mente.

deixar algumas pedras para limpara a energia do ambiente e queimar incensos ajudam quando a cabeça não para

arrumar meu quarto e deixar coisas fofas à vista

cuidar do meu cacto de estimação