mudando o foco

Produtividade na pandemia que dura mais de um ano é algo que a gente nem deveria estar cobrando.

Mas cobra. Dos outros, de nós. Eu me cobro todo dia por não conseguir focar em atividades que no escritório eu faria em cinco minutos mesmo com interrupções de telefone, chefe, colegas.

Tentei de tudo pra recuperar o mínimo do ritmo. Tudo em vão.

Procurei resposta na meditação, nos exercícios, na alimentação. Nada funciona.

Aí hoje eu percebi, o problema – mais um dentre tantos – era meu foco.

Eu já sabia que não estava (estou) feliz onde estou mas ainda assim estava direcionando minhas energias em preencher um espaço que já não me cabe mas tenho que ocupar porque ainda não tenho outra opção.

Meu foco deveria ser no meu bem estar, entender meu novo ritmo e traçar um novo caminho a partir daí.

Fazer o mínimo já é fazer algo. Respeitar minhas limitações é também o caminho para supera-las.

E claro que é mais fácil falar do que praticar (o que não é?)

Aos poucos estou me exercitando de novo, meditando de novo, prestando atenção no que como, não tentando achar uma cura milagrosa pro bode que tenho da minha ocupação, mas para poder me fortalecer para buscar outros caminhos, já que num momento de desespero eu já dei o primeiro passo e aprendi uma coisa nova (talvez a maior loucura que cometi em tempos).

Logo eu que sempre me achei egoísta tava aqui sofrendo por não atender aos padrões de uma sociedade que claramente não deveria ser exemplo pra ninguém.

Vai entender.

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um ano perdido

esse é o resumo de 2020.

e não tem quem me convença do contrário.

em 2020 perdeu-se:

  • saúde (mental&física)
  • vidas
  • liberdade
  • oportunidades
  • memórias
  • momentos
  • despedidas
  • contato físico
  • demonstrações de amor e amizade
  • aventuras
  • perspectiva

e mais um sem número de coisas que não sei nem dar o nome.

é essa a sensação que esse ano me deixou, em momentos de felicidade tão escassos e espaçados que parecem ter vidas inteiras entre eles eu ainda ri, ainda fui querida e estive com gente querida. ganhou-se muito pouco nesses 366 dias que ainda nem terminaram.

mas 2020 foi um ano perdido em tantas coisas que não tem como terminar com um saldo positivo. estamos a um mês do natal (meu deus) e acho que nem para virar o anos temos mais força…

se tá tudo bem eu não sei, mas a gente finge que sim pra poder seguir em frente já que não há outra alternativa.

nem todos os que perambulam…

Acho que boa parte das pessoas deve conhecer a famosa frase “not all those who wander are lost“, que se traduz para o português como “nem todos os que vagueiam estão perdidos” dentro de um poema de Tolkien.

Essa frase sempre teve um peso importante na minha vida porque eu sempre achei que, por não estarem perdidos, aqueles que vagam tem – no fundo – uma direção certa e maior que os leva por tantos caminhos mas com um destino final.

Mas e se vagar for o caminho? Se esses que vagueiam tem como propósito explorar o mundo e tudo que há nele, sem sentir a necessidade de se prender a um caminho só? Tive essa pequena epifania durante uma meditação guiada focada em encontrar meu propósito, e não digo que uma única sessão de meditação me iluminou de tal forma, mas foi olhando para mim, me perguntando quem eu sou ou o que eu quero ser que pensei nisso. Ainda tenho internalizada essa coisa de que é necessário ter o caminho, o propósito único mas sem nunca pensar que talvez esse caminho seja percorrer vários caminhos, explorar o mundo para me encontrar e me encontrar ao explorar.

É algo que me trouxe muitos motivos para refletir e uma sensação de acolhimento que há muito eu não sentia. Existem muitos caminhos e escolher um só é o tipo de coisa que me tira o sono mas se eu puder escolher explorar sem a pressão de definir, de escolher e me permitir ficar o quanto eu quiser e partir se eu quiser. E quando digo explorar o mundo não precisa ser através de viagens, mas de assuntos, atividades e coisas variadas que posso até nunca nem ter pensado em explorar. E é ali que encontro sentido em viver e me sinto impelida a descobrir e procurar sempre mais.

Talvez…

sobre (in)constância

Eu tenho esse hábito. Ou vício. Ou sei lá que nome posso dar que acredito ser comum a muitas outras pessoas.

A de começar algo na maior empolgação e depois ir ficando com preguiça, esquecendo, até abandonar novamente algo que eu até gostava mas não tive a força de vontade de continuar. Já fiz isso com um curso da faculdade, a academia que frequentei, idiomas que inventei de aprender e até esse blog.

Nos poucos posts que publiquei aqui até agora já deixei mais do que claro que numa tentativa de não surtar com o mundo e onde estamos na nossa história enquanto humanidade, resolvi cuidar de mim, do meu desenvolvimento pessoal e rever essas pequenas falhas de caráter que parecem inofensivas mas podem ser muito prejudiciais.

Essa minha mania de não seguir com as coisas mesmo que elas me façam bem foi algo que nunca entendi muito bem e talvez por isso nunca tenha conseguido, de fato, combater. Muitas vezes acho que não tenho nada pra falar, mas eventualmente acabo voltando para o caderno que uso de “diário” (que não é nada diário) e sinto saudade de compartilhar coisas aqui. Mesmo que ninguém leia, eu acho meio terapêutico expor minhas palavras na terra de ninguém que é a internet vai que alguém tropeça aqui e se identifica?

Outro dia pensando nesse cantinho me vi usando as palavras “tenho que” postar aqui, “tenho que” pensar em outros posts. Mas eu tenho mesmo? Não estou recebendo nada por isso. E acho que no final das contas é essa sensação de obrigatoriedade que surge dentro de nós mesmos que nos dá essa preguiça. Em vários posts de organização que li ultimamente as pessoas comentam que nossas motivações, se não forem fortes o suficiente, minguam, e junto com elas nosso esforço em fazer algumas coisas. Que nosso cérebro tende a ficar sempre no que já é conhecido então se a gente não facilitar essas coisas ao máximo isso sempre vai acontecer.

Não sei porque mas acho até que consolador o fato que essa tendência a se autossabotar pode ser explicada pela ciência. Mas também fico pensando no esforço que é reeducar nosso cérebro e por isso é mais fácil desistir. Então nos últimos dias venho pensando na minha motivação para fazer as coisas e como posso me lembrar delas constantemente. Defini também que não vou ficar me cobrando para postar aqui porque foi isso que me afastou da escrita uma vez. Se eu tiver um post por dia numa semana e mais nada pelo próximo mês, paciência. Isso aqui é um hobby que não planejo monetizar então tudo bem.

Inconstância não é necessariamente uma coisa ruim se seu objetivo é só extravasar alguns pensamentos de dentro da cachola.

o bicho da positividade

Um pequeno desabafo:

Tem uma coisa que não entendo, nesse povo que insiste em dizer que 2020 não foi um ano ruim. Que temos que ver o lado bom das coisas e não focar em todo o mal que aconteceu nesses 366 dias.

Tenho vontade de pegar essas pessoas pela mão, sentar na frente do computador e listar as matérias com todas as desgraças que ocorreram nessas 52 semanas que ainda nem chegaram ao fim e perguntar: o que tem de bom nisso?

Ter uma vida confortável e com alguns privilégios me possibilitou não sentir tanto os impactos negativos desse ano. Mas ainda assim é impossível fingir não ver as coisas tristes, que causam revolta ou nos deixam uma sensação de desamparo. Será que “só ver o lado bom” é realmente a resposta?

Será que ignorar todos os problemas em nome das “good vibes” realmente melhora algo? Fica aí o questionamento.

obra de arte feita por eu mesma

destralhando meu próprio caminho

Uma das minhas maiores dificuldades da vida é manter o foco. Me concentrar em uma coisa só por vez é extremamente difícil e é por isso que eu tenho a tendência de começar 500 coisas e não terminar nenhuma. Seja porque eu fico com preguiça de continuar, desmotivada ou simplesmente esqueço porque minha mente já foi se fixar brevemente em outro ponto, a verdade é que fazendo uma análise honesta foram poucas coisas na minha vida que comecei e completei.

Mas como já comentei aqui, estou na jornada de me tornar uma pessoa organizada real e definitivamente e ando seguindo muito as dicas da Thais Godinho do Vida Organizada para me ajudar a trilhar esse caminho tão desconhecido e por vezes intimidador. A Thais fala que o processo de organização tem 5 etapas: Destralhar, Organizar, Arrumar, Manter e Curtir. No blog dela ela detalha o que consiste cada etapa, mas reforça que cada um tem um estilo de vida e é de um jeito. E isso foi algo que bateu em mim e grudou de tal forma que me ajudou a – ainda que inconscientemente – começar o meu processo com esse guia, mas ainda assim do meu jeito. 

Como eu ainda moro com meus pais, o espaço que tenho para chamar 100% de meu consiste no meu quarto e no meu banheiro. E como venho trabalhando em aprimorar o meu quarto desde o ano passado, estava com certa dificuldade em achar o que mais destralhar visto que com todo o processo de mudar os móveis e pintar eu já vinha catando coisas aqui e ali que já não fazia sentido manter.

Até que num domingo passado eu resolvi lavar o meu banheiro e entendi que não dá pra arrumar tralha. Conforme eu ia tirando os itens para liberar o espaço para poder lavar eu notei a quantidade de coisas que eu matinha naquele espaço e que eu não precisava mais. E olha que meu banheiro é pequeno. Mas também percebi que consigo fazer esse discernimento muito melhor quando resolvo limpar – que na minha visão se encaixa na terceira etapa – porque aí eu consigo me livrar daquela coisa de “estava sempre aí então eu preciso”.

Depois de lavar o banheiro e descansar um pouco enquanto esperava o espaço secar para repor meus itens pessoais, fui vendo o que realmente ainda servia para mim e o que estava ali só ocupando espaço. Precisei começar a arrumar o ambiente para que pudesse ver o que realmente era tralha ali, e depois de arrumar/limpar é que consegui destralhar o ambiente e já tirar um peso enorme dos ombros.

E de novo, tudo o que estou contando nessa série de posts é a minha experiência pessoal de uma pessoa que não tem nenhum treinamento/conhecimento/método sobre organização. Esses são relatos da minha jornada individual. E se quiser começar a tomar rumo nessa vida sugiro que faça suas próprias pesquisas e análises pessoais, porque cada um é cada um.

A roda da vida

 

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Photo by Greg Rakozy on Unsplash

Num post anterior eu falei que estava numa jornada para me tornar uma pessoa organizada e melhorar os pontos na minha vida que não me trazem satisfação. Um dos primeiros passos foi olhar honestamente as categorias da minha vida segundo A Roda da Vida que, adivinhem só, ouvi a Thais do Vida Organizada comentar durante a live dela sobre como organizar o mês de agosto. No site da SB Coaching, a informação é que a Roda da Vida é

[…]é uma ferramenta utilizada para realizar avaliações pessoais. O método é baseado em um reflexão sobre as áreas fundamentais da nossa experiência diária, como relacionamentos, qualidade de vida e outros.

Falando em termos visuais, a roda da vida é um gráfico de pizza, onde cada fatia representa uma área da nossa vida pessoal e profissional e cabe a nós analisar e definir nosso nível de satisfação com cada área. As áreas em si podem ter outros nomes, mas como foi minha primeira vez anotei as categorias que vi na live: Saúde, Emocional, Estudo, Contribuição Social, Propósito, Finanças, Família, Amigos, Amor, Lazer, Espiritualidade e Plenitude e tentei aplicá-las para a minha vida.

E foi meio chocante perceber que a minha insatisfação com a minha situação – que achei que fosse tão pequena – estivesse relacionada a mais de uma área da minha vida.  Mas por um lado me ajudou a entender melhor exatamente no que preciso focar e quais áreas que estão em falta de satisfação se relacionam e podem – ou até precisam – crescer juntas. Não vou compartilhar minha roda da vida aqui porque acho um treco meio pessoal demais, mas vou contar as áreas que eu defini estar menos satisfeita.

Contribuição Social, Propósito, Estudos e Finanças. Essas quatro áreas não foram preenchidas nem pela metade, as duas primeiras ficando muito próximo do zero quando li sobre o que ela queriam dizer, mas não foi nenhuma surpresa tendo em vista que elas são relacionadas ao lado profissional e eu acho que nunca estive 100% satisfeita em qualquer emprego que eu tivesse. Mas isso é assunto para outro post, o que eu quero comentar aqui é que, apesar de terem as “notas” mais baixas entre as áreas da minha vida, meu foco para o mês de agosto para melhorar vai ser a parte de finanças. Não quero dizer que propósito e contribuição social não sejam importantes – afinal isso entra na parte de viver em sociedade que comentei -, mas sim porque esses são assuntos mais complexos que vão precisar de todo um processo para serem desenvolvidos. Então eu resolvi focar no meu item de primeira necessidade que tem um impacto direto nas outras áreas de minha vida e que, se estiver organizado, pode me ajudar massivamente no meu processo de desenvolver meu propósito e aumentar minha contribuição social. 

O que eu entendi e tirei da roda da vida é isso. Não é só preencher um gráfico e fazer uma análise quantitativa da sua satisfação em cada área individualmente, você precisa considerar o todo, entender o impacto que uma área tem na outra e definir o que é passível de ser melhorado no “curto” e longo prazo. Por isso meu foco tem sido reorganizar minhas contas e gastos, dar uma segurada no consumismo e manter o foco em ter uma vida que não seja só pagar boletos, e sim usar o dinheiro para atingir objetivos maiores e que vão me trazer mais satisfação do que uma brusinha nova ou um novo produto de skin care. 

Mas e aí? E se você fizer a sua roda da vida, o que achar que vai dar bom? Acho que é uma reflexão válida de se fazer. 

 

ordem e caos

Eu sempre fui uma pessoa desorganizada.

Nunca fui muito disciplinada e muito menos inclinada a manter a ordem, sempre encontrei algum tipo de conforto dentro do meu caos pessoal e nunca senti uma necessidade muito grande de ser uma pessoa organizada. Mas o tempo passa, as pessoas mudam, as responsabilidades aumentam e de repente eu me vejo na beira dos trinta com mentalidade de uma criança de 10 anos para alguns assuntos e isso não é bom.

Depois de várias tentativas falhas, entendi que a questão em si não é mudar a minha essência mas sim buscar evoluir e melhorar os pontos da minha pessoa que não foram definidos. Faz alguns anos que venho tentando me organizar e nunca consigo manter a vida na linha por muito tempo e tem uma hora que chega né? Você resolve fazer algo e resolve que vai dar certo nem que seja a última coisa que você faça nessa vida e, bom, não quero que seja a última coisa que eu faça nessa vida.

Por isso comecei a ler materiais sobre isso com seriedade e aberta a ouvir e aplicar as dicas e instruções, comecei fuçando vários os posts do Vida Organizada que acho que podem ser bons pra mim e sentei para definir um caminho que seja condizente com a minha vida e que ajude a melhorar os meus caminhos. Tem coisas que é melhor a gente deixar só na nossa cabeça, mas firmar compromissos para ~o mundo~ é uma coisa que eu descobri que me ajuda a seguir isso com mais afinco.

Faz muito sentido? Provavelmente não. Mas é uma jornada que quero compartilhar aqui despretensiosamente.

Tomei essa decisão nos últimos dias de Julho e pela primeira vez não saí correndo com um pseudo-plano que não leva em consideração todas as variáveis da minha vida. Depois de ler alguns materiais e definir o item de primeira prioridade para resolver, sentei e olhei honestamente para a minha vida como ela é, as partes que mais me incomodam, minhas limitações, etc. Olhei desde o micro até o macro para poder entender como eu posso melhorar não só a minha condição sócio-econômica mas também a pessoa Alessandra. Confesso que é bem chato você medir seu nível de satisfação com a sua própria vida e perceber tudo o que falta, mas se tudo tem um lado positivo, a parte boa dessa análise honesta é também aproveitar essa honestidade para definir objetivos reais que eu quero atingir e não o que eu acho que deveria querer atingir. 

É um exercício que, se feito constantemente, nos deixa mais perto de quem realmente somos e como podemos melhorar ao não perder essa informação de vista. Claro que não dá pra ignorar completamente a nossa sociedade porque ela também tem um papel no indivíduo, mas ter essa noção de si te deixa mais seguro também para bancar ser quem se é apesar do que a sociedade diz. 

Eu não quero aqui me passar por especialista em nada. Esse post – e quantos mais outros vierem – é pura e simplesmente para compartilhar as impressões que eu tenho durante essa jornada de auto conhecimento e melhoramento. E convido a vir comigo quem quiser. 

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Photo by Maria Bitencourt on Unsplash (neon) / Photo by Simon Migaj from Pexels (estrada)

 

desconectada

Às vezes a vida tem coisas demais.

Informações demais, cores demais, gente demais, opiniões demais.

Às vezes a gente só precisa se desconectar. Desapegar do feed interminável cheio de coisas interessantes (ou nem tanto) pra ver, não tuitar aquela reclamação que não vai realmente melhorar o nosso problema, não ouvir o que quer que as pessoas tenham pra dizer sobre o que quer que seja a discussão do momento.

Às vezes ter como única distração os joguinhos do celular é o suficiente, e quando não é, veja só, a gente encontra o tempo pra estudar a conjugação de verbos numa língua nova, para arrumar o quarto, hidratar o cabelo, prestar atenção de verdade na série que estamos vendo ou simplesmente deixar a mente descansar e dormir.

Passei três dias longe das duas redes sociais que mais consomem meu tempo no fim de semana passado e, apesar de ter estranhado, foi uma experiência muito boa. No domingo à noite reinstalei tudo mas não consegui passar muito mais tempo, ainda mais no twitter onde a informação corre a 200km/h, eu me senti zonza por não fazer ideia do que as pessoas estavam falando. O instagram foi algo mais fácil, a armadilha de perder tempo que é o stories é tão sutil que a gente gasta uma hora ali sem nem perceber, mas mesmo assim perdi um pouco da paciência ao perceber que o conteúdo em nada se alterou nas minhas quase 72 horas de ausência. 

Definir prioridades e com o que eu gasto meu tempo sempre foi algo muito difícil pra mim, tenho o péssimo hábito de escolher o que é mais fácil ou que parece mais divertido e nessa acabo me prejudicando e não conseguindo atingir meus objetivos. O bom de ficar mais velha é que acabei percebendo que tudo isso está dentro do meu controle e as desculpinhas que antes eu me dava começam a me irritar. Acho que todo mundo passa por essa etapa na vida de realização de “nossa, a vida é minha mesmo né?” e resolve tentar tomar vergonha na cara e melhorar. 

Quanto mais o tempo passa minha régua pesa mais do que a régua dos outros e sinto mais e mais a necessidade de ser honesta com quem eu realmente sou ao invés de tentar atender às expectativas dos outros. É um processo complicado e muito confuso que quase nunca rende um texto coeso.

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Foto de Prateek Katyal no Pexels

Hoje resolvi desinstalar o twitter do celular de novo, vou me afastar mais um pouco porque o que eu preciso agora não é do escapismo das redes sociais, mas sim focar o olhar para mim e os caminhos a minha frente e tomar algumas atitudes. E se por um lado eu me desconecto dos outros, por outro eu me reconecto aqui. Com a minha história, minhas experiências e minhas descobertas. 

125 dias

Quase 2 meses desde a primeira postagem falando sobre a atual conjuntura mundial que já não é mais tão mundial assim. Os 68 dias viraram 125, cento e vinte e cinco dias, são exatas três mil horas da minha vida que eu passei em semi confinamento. Eu vejo os jornalistas nas estações de metrô de São Paulo e penso que faz cento e vinte e dias que eu não rolo a catraca pra ir pra lugar nenhum. 

Foram 5 aniversários não comemorados de amigos – incluindo o meu – com aquela bagunça usual que envolve aglomeração, dividir bebidas, abraços e muita risada. A Fran outro dia me mostrou uma matéria que falava sobre redução de danos para as pessoas que estão começando a sofrer com esse isolamento voluntário e prolongado e, apesar de entender e até apoiar essa postura, eu particularmente ainda não consigo me desprender das nóias que envolvem sair para qualquer coisa que não seja o mercado ou a farmácia porque apesar de me alienar tanto quanto possível, ainda me espanta o número de mortes que só cresce e me preocupa o fato dos meus pais serem do grupo de risco.

125 dias depois as faltas que pesam mais, além da mera liberdade de poder ir e vir como eu bem entender, são as escolhas do cotidiano que contribuem para uma mente minimamente sã: Ir ao parque andar de bicicleta (alugada, sem ter ideia de quem possa ter usado antes de mim), sair com meus amigos para aqueles lugares de sempre, escolher descer umas estações antes do trabalho e fazer o resto do percurso a pé, ir pra academia, ir ao shoppíng com meu irmão só pra bater perna. São atividades que eu jamais poderia fazer com tranquilidade mesmo que esses lugares já estejam reabrindo.

O simples fato de não me preocupar com a saúde de quem está ao meu redor e como isso pode prejudicar a mim ou a minha família.

Vejo o governo tentando voltar a sociedade para um molde que já era errado antes, que já não funcionava antes e que está destinado a acabar algum dia, seja do jeito que for, tentando consertar uma fundação condenada, usando a população como uma coluna de apoio para que o dinheiro continue girando e foda-se se morrerem 100, 200, 500 mil pessoas. 

São 125 dias de desesperança e decepção. Quantos mais ainda virão?