um ano perdido

esse é o resumo de 2020.

e não tem quem me convença do contrário.

em 2020 perdeu-se:

  • saúde (mental&física)
  • vidas
  • liberdade
  • oportunidades
  • memórias
  • momentos
  • despedidas
  • contato físico
  • demonstrações de amor e amizade
  • aventuras
  • perspectiva

e mais um sem número de coisas que não sei nem dar o nome.

é essa a sensação que esse ano me deixou, em momentos de felicidade tão escassos e espaçados que parecem ter vidas inteiras entre eles eu ainda ri, ainda fui querida e estive com gente querida. ganhou-se muito pouco nesses 366 dias que ainda nem terminaram.

mas 2020 foi um ano perdido em tantas coisas que não tem como terminar com um saldo positivo. estamos a um mês do natal (meu deus) e acho que nem para virar o anos temos mais força…

se tá tudo bem eu não sei, mas a gente finge que sim pra poder seguir em frente já que não há outra alternativa.

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meditação

Uma das coisas que comecei (e depois parei, e comecei de novo) durante a quarentena é a meditar. 

Eu, que sempre admiti que era uma pessoa inquieta demais tanto física quanto mentalmente, me peguei sobrecarregada durante esse momento louco que ainda estamos vivendo e resolvi me desafiar – literalmente – a praticar o ficar quieta, limpar a mente e tentar realinhar minhas energias que estavam totalmente bagunçadas. No começo foi tudo muito difícil mas conforme eu ia meditando mais fácil ia ficando, até que eu me senti bem o suficiente para não sentir tanta necessidade assim ou deixar a preguiça vencer mesmo quando eu senti que precisava. 

É engraçada essa coisa de criar hábitos porque no começo mesmo a gente vendo os efeitos positivos ainda tem aquela preguiça que se prolonga e quando vê já perdemos o hábito de novo. Se meditei quase todos os dias no primeiro mês da quarentena, passei os dois seguintes com preguiça até que minha inquietação começou a ficar grande demais de novo.

Meditar é um treco engraçado. É quase como dormir e estar acordado ao mesmo tempo e, se você assim como eu acredita em energias, quando você se concentra o suficiente dá pra sentir fisicamente a sua energia mudando. É uma prática boa e ainda que desafiadora procurei inserir ela na rotina que estou criando para mim. Já percebi que meditar de manhã é a melhor hora porque a cabeça ainda está descansada e fresca o suficiente para ajudar no “desligamento” do resto do mundo, o que também ajuda no foco e a direcionar o tipo de energia que queremos ter para o resto do dia. 

Por enquanto tenho feito meditações guiadas porque não tenho ainda a capacidade de me desligar totalmente sozinha. Estava mais focada em descobrir algum app de graça que tivesse uma seleção boa de meditações guiadas e encontrei o Insight Timer indicado pela Thais do Vida Organizada, mas já busquei também no Spotify e no Youtube principalmente meditações para energias positivas e foco para ajudar no trabalho. Só que é engraçado perceber as repetições nos guias das sessões de positividade, chega a ser risível ter uma pessoa falando todos aqueles quotes inspiracionais que a gente acha no pinterest em voz alta para você. Mas numa dessas sessões que termina com uma série de mantras me peguei segurando uma que conversou muito com o que tenho aspirado para a minha vida. 

essa eu postei no meu instagram (@ale.csrdesigns)

No mais, meditar tem me ajudado a cuidar da mente e do espírito mesmo apesar de tudo, e tem sido uma lanterna que ajuda a me guiar em caminhos tão nebulosos (nossa, que profundo). Sem falar que realmente ajuda a dormir melhor, a concentrar mais e a deixar o coração mais tranquilo.

125 dias

Quase 2 meses desde a primeira postagem falando sobre a atual conjuntura mundial que já não é mais tão mundial assim. Os 68 dias viraram 125, cento e vinte e cinco dias, são exatas três mil horas da minha vida que eu passei em semi confinamento. Eu vejo os jornalistas nas estações de metrô de São Paulo e penso que faz cento e vinte e dias que eu não rolo a catraca pra ir pra lugar nenhum. 

Foram 5 aniversários não comemorados de amigos – incluindo o meu – com aquela bagunça usual que envolve aglomeração, dividir bebidas, abraços e muita risada. A Fran outro dia me mostrou uma matéria que falava sobre redução de danos para as pessoas que estão começando a sofrer com esse isolamento voluntário e prolongado e, apesar de entender e até apoiar essa postura, eu particularmente ainda não consigo me desprender das nóias que envolvem sair para qualquer coisa que não seja o mercado ou a farmácia porque apesar de me alienar tanto quanto possível, ainda me espanta o número de mortes que só cresce e me preocupa o fato dos meus pais serem do grupo de risco.

125 dias depois as faltas que pesam mais, além da mera liberdade de poder ir e vir como eu bem entender, são as escolhas do cotidiano que contribuem para uma mente minimamente sã: Ir ao parque andar de bicicleta (alugada, sem ter ideia de quem possa ter usado antes de mim), sair com meus amigos para aqueles lugares de sempre, escolher descer umas estações antes do trabalho e fazer o resto do percurso a pé, ir pra academia, ir ao shoppíng com meu irmão só pra bater perna. São atividades que eu jamais poderia fazer com tranquilidade mesmo que esses lugares já estejam reabrindo.

O simples fato de não me preocupar com a saúde de quem está ao meu redor e como isso pode prejudicar a mim ou a minha família.

Vejo o governo tentando voltar a sociedade para um molde que já era errado antes, que já não funcionava antes e que está destinado a acabar algum dia, seja do jeito que for, tentando consertar uma fundação condenada, usando a população como uma coluna de apoio para que o dinheiro continue girando e foda-se se morrerem 100, 200, 500 mil pessoas. 

São 125 dias de desesperança e decepção. Quantos mais ainda virão?

tempos mais simples

Acho válido lembrar que eu sou uma pessoa inquieta.

Desconfio que tenha algum grau de déficit de atenção que me torna impossível de prestar atenção numa coisa por mais que 5 minutos, que me dá siricuticos de ficar andando em círculos dentro do meu próprio quarto quando sinto que estou sentada há tempo demais. 

Junte essa inquietação natural a uma sensibilidade com energias dos lugares e você terá uma pessoa que vive desconfortável 90% do tempo. Já comentei sobre a benção que é ter um teto todo meu onde eu posso mudar as coisas ao meu bel prazer e bem, é a única coisa que tenho feito durante esses tempos doidos para me distrair e tentar ter alguma paz de espírito… Não funciona muito, mas jogar tetris com os móveis do meu quarto geralmente me ajuda a gastar energia e tentar controlar a sensação de desamparo que sinto quanto realmente paro para pensar na atual conjuntura mundial™.

Voltar a escrever é uma coisa que tem me ajudado a controlar um pouco essa inquietude. Digitar um post sem grandes pretensões de comunicar qualquer coisa além de compartilhar um pouco do caos que vem do meu subconsciente é uma coisa que sempre me ajudou e eu tinha esquecido porque estava extremamente soterrada com outras neuras e tretas. Claro que quando a coisa apertava eu recorria ao velho caderno e caneta para extravasar tudo de – geralmente – ruim que eu guardava no peito e conforme as coisas ruins foram acabando (graças a Deus) voltei a sentir falta de compartilhar essas palavras sem qualquer motivo especial pelo simples fato de que eu estou aqui, e deve ter alguém aí fora da minha própria tela que também pode se sentir assim e que pode se sentir menos sozinha, se sentir um pouco mais tranquila e experimentar aquela sensação engraçada que a gente tinha ao chegar num blog novo e desconhecido e se identificar com as palavras de outras pessoas mas que poderiam muito bem ser nossas.

Veja bem, eu não quero tirar o mérito de pessoas que escrevem posts com conteúdo e propósito. Mas sendo uma pessoa que cresceu tendo um “diário” online aberto para o mundo é natural sentir falta e querer, de alguma forma, recriar esse ambiente despretensioso de escuta e de troca de experiências, sentimentos e descobertas.

Talvez este seja mais um post pedindo a volta dos blogs “raíz”.

writing flowers

Photo by Florian Klauer on Unsplash (Máquina de escrever) – Photo by Christie Kim on Unsplash (flores) – Foto de Pixabay no Pexels (textura de escrita no fundo)

quarentena diaries

Logo que essa ~quarentena meia bomba~ começou, eu vi no twitter alguém comentando sobre a quantidade de posts, livros, documentários e o que mais fosse surgindo contando a experiência das pessoas durante um momento histórico – e aterrorizante – da humanidade.  Se essa profecia se realizou não sei dizer, dentro da minha bolha eu só vejo as pessoas tentando viver um dia de cada vez e tentando controlar as poucas e ínfimas coisas que ainda estão no nosso controle.

Para mim, são 68 dias desde que a rotina mudou da água pro vinho. A última vez que saí pra trabalhar foi em 17 de Março e desde então o mais longe que fui foi até o antigo prédio que morava buscar uma encomenda que minha mãe mandou pra lá. Um trajeto de 3km feito com tanta apreensão que nem consegui sentir a nostalgia de voltar no lugar onde fui criada.  Vou contar que mesmo apesar da falta de coletividade, sinto um pouco de inveja das pessoas que seguem suas vidas despreocupadas com essa pandemia. Fico me perguntando se elas não sentem o estômago afundar um pouquinho a cada dia que o número de mortes aumenta e com os trabalhadores da área da saúde dando sangue, suor e lágrimas pra tentar atender a todos os doentes.

Tenho tentado me manter alheia o suficiente pra não sofrer com a situação caótica do nosso país mas sem esquecer da gravidade da situação. Eu tenho a sorte e o privilégio de manter o meu emprego, com meu salário e benefícios, de ter  uma casa confortável com um quarto só meu onde eu posso pintar e bordar como eu quiser e pais dedicados que sempre prezam pelo meu bem estar. Apesar de ranzinza sempre tive plena consciência dessas coisas mas acho que nunca estive tão aliviada e grata mesmo com as dificuldades que vinham bem antes de tudo isso acontecer.

Não vou tentar pintar essa parte da história com lentes cor-de-rosa e falar que temos que ser gratos, aproveitar para fazer x ou y enquanto tem muita gente em situações mais do que precárias lutando hoje para conseguir chegar no amanhã. Na verdade esse post é mais um lembrete meu para mim mesma de que não tenho do que reclamar, que eu tenho sorte, que eu não estou nessa situação confortável porque “eu mereci” mas porque uma série de acontecimentos que vem desde antes de eu nascer me colocaram aqui.