convém ligar na tomada

Não vou mentir, eu ainda tinha um tico de esperança para 2021.

Agora tudo o que eu tenho é cansaço, desânimo e uma falta de perspectiva misturada com insegurança de não conseguir ir para a próxima fase.

Parei de meditar, mal encostei nos livros que tinha separado para ler. Estou num estado terminal de apatia.

Só que ainda tem uma voz na minha cabeça, talvez meu grilo falante pessoal, que me diz pra não desistir. Que me diz para fazer aquele esforço e me exercitar, a não exagerar no doce (nem no álcool), que sente falta de ter a cabeça tranquila e o coração em paz.

Mas me falta a energia. Me falta o gatilho que transforma a intenção em atitude. E ultimamente venho me perguntando o que posso fazer para mudar, para conseguir alcançar o plug na tomada e carregar um pouco da minha bateria que já está dando sinais de não vai durar muito tempo

(eu sempre faço as piores metáforas, mas é o jeito que a minha mente funciona)

Publicidade

nem todos os que perambulam…

Acho que boa parte das pessoas deve conhecer a famosa frase “not all those who wander are lost“, que se traduz para o português como “nem todos os que vagueiam estão perdidos” dentro de um poema de Tolkien.

Essa frase sempre teve um peso importante na minha vida porque eu sempre achei que, por não estarem perdidos, aqueles que vagam tem – no fundo – uma direção certa e maior que os leva por tantos caminhos mas com um destino final.

Mas e se vagar for o caminho? Se esses que vagueiam tem como propósito explorar o mundo e tudo que há nele, sem sentir a necessidade de se prender a um caminho só? Tive essa pequena epifania durante uma meditação guiada focada em encontrar meu propósito, e não digo que uma única sessão de meditação me iluminou de tal forma, mas foi olhando para mim, me perguntando quem eu sou ou o que eu quero ser que pensei nisso. Ainda tenho internalizada essa coisa de que é necessário ter o caminho, o propósito único mas sem nunca pensar que talvez esse caminho seja percorrer vários caminhos, explorar o mundo para me encontrar e me encontrar ao explorar.

É algo que me trouxe muitos motivos para refletir e uma sensação de acolhimento que há muito eu não sentia. Existem muitos caminhos e escolher um só é o tipo de coisa que me tira o sono mas se eu puder escolher explorar sem a pressão de definir, de escolher e me permitir ficar o quanto eu quiser e partir se eu quiser. E quando digo explorar o mundo não precisa ser através de viagens, mas de assuntos, atividades e coisas variadas que posso até nunca nem ter pensado em explorar. E é ali que encontro sentido em viver e me sinto impelida a descobrir e procurar sempre mais.

Talvez…