sobre perspectiva

Depois de ficar muito tempo deitada sob o sol quando abro os olhos vejo o mundo ao meu redor sob uma luz azul, depois em preto e branco e só depois de alguns minutos minha visão volta ao normal.

Não sei explicar esse acontecimento biológico mas é sempre uma experiência interessante. Ver o mundo – literalmente – com outras cores é sempre uma coisa curiosa. É quase como atualizar aquela página esperando que a informação que queremos ver apareça, mas ao invés de uma informação o que aparece é um lembrete de que nada é realmente de um jeito ou de outro, as coisas estão de um jeito e por estarem desse jeito podem ser diferentes também.

Desde que comecei a meditar eu venho mudando, ainda que pareça imperceptível aos olhos dos outros, eu sinto o meu eu cada vez mais maleável, mais calmo. É uma sensação boa, mas é um processo tão lento que se não prestar atenção não se percebe nada mesmo.

Não vou tentar aqui olhar 2020 por uma luz positiva, mas das coisas que comecei a fazer durante nossa “quarentena” para manter a sanidade… Meditar foi de longe a mais benéfica pra mim. E aos poucos venho tentando compartilhar o que eu aprendo, procurando ajudar aqueles mais próximos de mim a encontrar um momento de paz, a repensar algumas atitudes e pensamentos, nem sempre a mensagem chega mas é algo que faço sem pretensão… Afinal o primeiro passo ninguém pode dar pela gente.

Ter a coragem de mudar, de assumir nossas falhas e ao invés de criticar, procurar entender o que as causam e a partir daí começar a mudar, a passos tão lentos que parece que nem saímos do lugar. Aprendi a ser mais honesta comigo, a aceitar minha situação atual por mais que eu não goste ou esteja feliz com ela, mas é a realidade, tenho que lidar com ela de algum jeito.

E é aceitando isso que consigo começar a mudar, aos poucos ou com 20 segundos de uma coragem insana.

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nem todos os que perambulam…

Acho que boa parte das pessoas deve conhecer a famosa frase “not all those who wander are lost“, que se traduz para o português como “nem todos os que vagueiam estão perdidos” dentro de um poema de Tolkien.

Essa frase sempre teve um peso importante na minha vida porque eu sempre achei que, por não estarem perdidos, aqueles que vagam tem – no fundo – uma direção certa e maior que os leva por tantos caminhos mas com um destino final.

Mas e se vagar for o caminho? Se esses que vagueiam tem como propósito explorar o mundo e tudo que há nele, sem sentir a necessidade de se prender a um caminho só? Tive essa pequena epifania durante uma meditação guiada focada em encontrar meu propósito, e não digo que uma única sessão de meditação me iluminou de tal forma, mas foi olhando para mim, me perguntando quem eu sou ou o que eu quero ser que pensei nisso. Ainda tenho internalizada essa coisa de que é necessário ter o caminho, o propósito único mas sem nunca pensar que talvez esse caminho seja percorrer vários caminhos, explorar o mundo para me encontrar e me encontrar ao explorar.

É algo que me trouxe muitos motivos para refletir e uma sensação de acolhimento que há muito eu não sentia. Existem muitos caminhos e escolher um só é o tipo de coisa que me tira o sono mas se eu puder escolher explorar sem a pressão de definir, de escolher e me permitir ficar o quanto eu quiser e partir se eu quiser. E quando digo explorar o mundo não precisa ser através de viagens, mas de assuntos, atividades e coisas variadas que posso até nunca nem ter pensado em explorar. E é ali que encontro sentido em viver e me sinto impelida a descobrir e procurar sempre mais.

Talvez…

o bicho da positividade

Um pequeno desabafo:

Tem uma coisa que não entendo, nesse povo que insiste em dizer que 2020 não foi um ano ruim. Que temos que ver o lado bom das coisas e não focar em todo o mal que aconteceu nesses 366 dias.

Tenho vontade de pegar essas pessoas pela mão, sentar na frente do computador e listar as matérias com todas as desgraças que ocorreram nessas 52 semanas que ainda nem chegaram ao fim e perguntar: o que tem de bom nisso?

Ter uma vida confortável e com alguns privilégios me possibilitou não sentir tanto os impactos negativos desse ano. Mas ainda assim é impossível fingir não ver as coisas tristes, que causam revolta ou nos deixam uma sensação de desamparo. Será que “só ver o lado bom” é realmente a resposta?

Será que ignorar todos os problemas em nome das “good vibes” realmente melhora algo? Fica aí o questionamento.

obra de arte feita por eu mesma

destralhando meu próprio caminho

Uma das minhas maiores dificuldades da vida é manter o foco. Me concentrar em uma coisa só por vez é extremamente difícil e é por isso que eu tenho a tendência de começar 500 coisas e não terminar nenhuma. Seja porque eu fico com preguiça de continuar, desmotivada ou simplesmente esqueço porque minha mente já foi se fixar brevemente em outro ponto, a verdade é que fazendo uma análise honesta foram poucas coisas na minha vida que comecei e completei.

Mas como já comentei aqui, estou na jornada de me tornar uma pessoa organizada real e definitivamente e ando seguindo muito as dicas da Thais Godinho do Vida Organizada para me ajudar a trilhar esse caminho tão desconhecido e por vezes intimidador. A Thais fala que o processo de organização tem 5 etapas: Destralhar, Organizar, Arrumar, Manter e Curtir. No blog dela ela detalha o que consiste cada etapa, mas reforça que cada um tem um estilo de vida e é de um jeito. E isso foi algo que bateu em mim e grudou de tal forma que me ajudou a – ainda que inconscientemente – começar o meu processo com esse guia, mas ainda assim do meu jeito. 

Como eu ainda moro com meus pais, o espaço que tenho para chamar 100% de meu consiste no meu quarto e no meu banheiro. E como venho trabalhando em aprimorar o meu quarto desde o ano passado, estava com certa dificuldade em achar o que mais destralhar visto que com todo o processo de mudar os móveis e pintar eu já vinha catando coisas aqui e ali que já não fazia sentido manter.

Até que num domingo passado eu resolvi lavar o meu banheiro e entendi que não dá pra arrumar tralha. Conforme eu ia tirando os itens para liberar o espaço para poder lavar eu notei a quantidade de coisas que eu matinha naquele espaço e que eu não precisava mais. E olha que meu banheiro é pequeno. Mas também percebi que consigo fazer esse discernimento muito melhor quando resolvo limpar – que na minha visão se encaixa na terceira etapa – porque aí eu consigo me livrar daquela coisa de “estava sempre aí então eu preciso”.

Depois de lavar o banheiro e descansar um pouco enquanto esperava o espaço secar para repor meus itens pessoais, fui vendo o que realmente ainda servia para mim e o que estava ali só ocupando espaço. Precisei começar a arrumar o ambiente para que pudesse ver o que realmente era tralha ali, e depois de arrumar/limpar é que consegui destralhar o ambiente e já tirar um peso enorme dos ombros.

E de novo, tudo o que estou contando nessa série de posts é a minha experiência pessoal de uma pessoa que não tem nenhum treinamento/conhecimento/método sobre organização. Esses são relatos da minha jornada individual. E se quiser começar a tomar rumo nessa vida sugiro que faça suas próprias pesquisas e análises pessoais, porque cada um é cada um.

desconectada

Às vezes a vida tem coisas demais.

Informações demais, cores demais, gente demais, opiniões demais.

Às vezes a gente só precisa se desconectar. Desapegar do feed interminável cheio de coisas interessantes (ou nem tanto) pra ver, não tuitar aquela reclamação que não vai realmente melhorar o nosso problema, não ouvir o que quer que as pessoas tenham pra dizer sobre o que quer que seja a discussão do momento.

Às vezes ter como única distração os joguinhos do celular é o suficiente, e quando não é, veja só, a gente encontra o tempo pra estudar a conjugação de verbos numa língua nova, para arrumar o quarto, hidratar o cabelo, prestar atenção de verdade na série que estamos vendo ou simplesmente deixar a mente descansar e dormir.

Passei três dias longe das duas redes sociais que mais consomem meu tempo no fim de semana passado e, apesar de ter estranhado, foi uma experiência muito boa. No domingo à noite reinstalei tudo mas não consegui passar muito mais tempo, ainda mais no twitter onde a informação corre a 200km/h, eu me senti zonza por não fazer ideia do que as pessoas estavam falando. O instagram foi algo mais fácil, a armadilha de perder tempo que é o stories é tão sutil que a gente gasta uma hora ali sem nem perceber, mas mesmo assim perdi um pouco da paciência ao perceber que o conteúdo em nada se alterou nas minhas quase 72 horas de ausência. 

Definir prioridades e com o que eu gasto meu tempo sempre foi algo muito difícil pra mim, tenho o péssimo hábito de escolher o que é mais fácil ou que parece mais divertido e nessa acabo me prejudicando e não conseguindo atingir meus objetivos. O bom de ficar mais velha é que acabei percebendo que tudo isso está dentro do meu controle e as desculpinhas que antes eu me dava começam a me irritar. Acho que todo mundo passa por essa etapa na vida de realização de “nossa, a vida é minha mesmo né?” e resolve tentar tomar vergonha na cara e melhorar. 

Quanto mais o tempo passa minha régua pesa mais do que a régua dos outros e sinto mais e mais a necessidade de ser honesta com quem eu realmente sou ao invés de tentar atender às expectativas dos outros. É um processo complicado e muito confuso que quase nunca rende um texto coeso.

nolikes

Foto de Prateek Katyal no Pexels

Hoje resolvi desinstalar o twitter do celular de novo, vou me afastar mais um pouco porque o que eu preciso agora não é do escapismo das redes sociais, mas sim focar o olhar para mim e os caminhos a minha frente e tomar algumas atitudes. E se por um lado eu me desconecto dos outros, por outro eu me reconecto aqui. Com a minha história, minhas experiências e minhas descobertas. 

1 passo pra frente, 2 passos pra trás

Já faz algum tempo eu desisti de estipular metas para mim.

Talvez porque eu mudo de ideia no meio do caminho, talvez porque muitas vezes eu não tenho a força de vontade de ir até o final ou talvez porque sempre que eu sinto qualquer ínfimo senso de controle vem algum imprevisto e bagunça tudo. Eu não lembro a última vez que estipulei uma meta pra mim por menor ou maior que fosse.

Uma coisa que aprendi sobre mim conforme os anos vão passando é que sou – e talvez sempre seja – uma pessoa de momentos. E que nos raros momentos em que encasqueto com uma vontade eu sou capaz de traçar um plano mais ou menos certo para conseguir o que eu quero, mas se esse plano vai acontecer ou mais ainda dar certo são outros 500. Conforme os anos vão passando venho sentindo uma necessidade de ser firmar em algo, seja numa profissão, num relacionamento, num desafio a ser superado. Faz um tempo isso me acompanhar, só que por anos eu me defini em termos que até hoje eu não sei se eram mesmo meus ou se eram o que eu acreditava que deveria ser.

Essa jornada de auto-conhecimento vem ficando mais profunda a cada dia que passa e eu tenho ficado cada vez mais desesperada com a minha falta de rumo a cada ano que passa. Tento acreditar que ainda há certa beleza em não ter um norte definido e na possibilidade de me descobrir a cada nova experiência, mas ainda acho que a essa altura da minha vida eu já deveria ter uma noção melhor de quem eu sou.

Me definir não é uma coisa na qual sou particularmente boa. Se muito eu já tenho uma longa lista de coisas que eu não gosto e que não quero ser ou fazer. Há quem diga que isso por si só já é uma boa definição de mim. Mas eu ainda preciso de mais. Preciso de algumas linhas que definam os meus limites, os meus valores, os meus alicerces individuais nesse mundo onde cada vez tudo fica mais igual. Genérico. Efêmero.

Se existe algo de bom para se achar na caótica situação mundial é que passar tanto tempo presa dentro do mesmo ambiente me dá a chance de pode olhar para dentro sem maiores distrações, é encarar as quatro paredes do meu quarto e decidir o que eu quero refletido nelas, o que eu quero manter e diferir o que eu realmente preciso do que eu achava que precisava. Das intenções que eu tinha definido para 2020 essa de aprimorar meu ambiente é a única na qual estou tendo qualquer tipo de sucesso, todas as outras viram uma dança de um pra frente, dois pra trás, gira para o lado e descobre mais uma falha de caráter, vira para o outro e tenta não perder a paciência.

E vou levando essa dança com o melhor e o pior de mim.

 

quando eu penso em “casa”

Para ler ouvindo “Home” interpretado por Diana Ross

When I think of home
I think of a place where there’s love overflowing
I wish I was home
I wish I was back there with the things I been knowing

Ficar trancada em casa durante esses três meses de quarentena me fez perceber a necessidade de ter um canto meu, que reflita quem eu sou, o que eu gosto e que me deixe confortável o suficiente para criar. Claro, Vírginia Woolf já disse tudo isso e mais um pouco quando escreveu Um Teto Todo seu em 1929 e infelizmente consigo ver que pouca coisa mudou para as mulheres quase cem anos depois. Se para muita gente ter um teto qualquer que seja sobre a própria cabeça ainda é considerado um privilégio, imagina para uma mulher ter um cômodo que seja só para si.

Eu não tenho aqui a pretensão de comentar o mundo e a sociedade dos quais eu entendo tão pouco. Esse blog é, antes de mais nada, o meu teto virtual sob o qual posso escrever minhas impressões baseada na minha experiência de vida que tem sido muito confortável e sem grandes dificuldades. Mas é exatamente por ter essa noção do quão privilegiada eu sou, que me pego cada vez mais grata por ter um teto todo meu. Onde eu posso “mandar e desmandar” e fazer o que me der na telha sem precisar da aprovação de ninguém.

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And just maybe I can convince time to slow up
Giving me enough time in my life to grow up
Time be my friend, let me start again

É claro que ainda morando com meus pais isso tudo fica ainda mais fácil, mas tenho que agradecer também pela liberdade que me é dada sendo uma pessoa ainda tão dependente dos meus progenitores. E sendo obrigada a passar tanto tempo dentro do meu quarto e da minha casa, dediquei boa parte do meu tempo e dinheiro a deixar tudo  mais meu possível. E é por isso que faz um tempo eu tenho tido vontade de ler, escrever, tirar fotos e até cantar (por pior que eu cante).

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Apesar de sempre ter uma lista de meia dúzia de coisas que gostaria de mudar ou melhorar, eu sou extremamente grata de ter esse privilégio de poder não só ter um lugar para chamar de minha casa, mas de também ter, dentro dessa casa, um espaço que reflete minha essência e que eu posso mudar e renovar conforme eu mesma vou mudando. 

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Quando eu penso em casa eu penso nas paredes azul claro do meu quarto, dos móveis brancos recheados com cores das minhas roupas, livros e decoração. Eu penso no sol do fim de tarde que reflete dourado em cada canto e do vento que sopra às vezes quente, às vezes frio. Eu penso na minha cama e nas minhas almofadas e no cheiro dos incensos que ficam na gaveta da mesa de cabeceira. Eu penso na sensação de paz e aconchego e no descanso que sempre vez confortável e seguro.

And I’ve learned
That we must look inside our hearts
To find a world full of love
Like yours
Like me

A vida vem em ondas, como um mar.

Uma das poucas coisas sobre mim que não muda é que estou sempre mudando.

Acho que posso atribuir esse traço de personalidade ao meu signo do zodíaco ou qualquer outra arbitrariedade do universo. Mas é uma verdade inegável que eu tenho um siricutico danado de mudar de lugar, de cabelo, de blog. Não consigo nem apontar com alguma exatidão quando comecei a escrever, mas faz muito tempo. Desde lá eu parei e voltei, parei e voltei, com a escrita, com os nomes, as plataformas. De vez em quando eu acerto algumas afirmações sobre mim que se provam verdades absolutas não importa quanto tempo passa.

Minhas mudanças de identidade são muitas mas são, também, um pouco previsíveis. E depois de ter redescoberto uma conta que há muito eu nem lembrava que existia eu topei também com outra versão de mim passando por um momento bem parecido. E ironicamente foi a minha eu de 2013 que me deu um nome para este blog que estava até então não identificado, uma vez que a minha “marca” de anos já não me representa mais – pelo menos no presente momento – eu ainda a deixo guardada para minha apreciação particular, mas eu queria uma nova velha faceta para essa época da vida que resolvi compartilhar de novo na internet (não que eu não compartilhe nada né?)

Em 2013 eu ainda usava a plataforma Blogger para escrever e, cansada de me sentir tão Desconexa, adotei um novo nome para meu espaço cibernético. Fora do Lugar foi um nome simples, que ilustrava bem a minha personalidade de nunca ficar parada muito tempo no mesmo lugar. Na época até me permiti uma brincadeirinha com o link que hoje trago de volta no título do blog, a url com meu nome permanece a mesma porque essa é uma coisa que não muda não importando se eu gosto ou não (e eu já passei muitos anos detestando o meu nome).

Como já cantava Lulu Santos:

“Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro, sempre”

giphy

quarentena diaries

Logo que essa ~quarentena meia bomba~ começou, eu vi no twitter alguém comentando sobre a quantidade de posts, livros, documentários e o que mais fosse surgindo contando a experiência das pessoas durante um momento histórico – e aterrorizante – da humanidade.  Se essa profecia se realizou não sei dizer, dentro da minha bolha eu só vejo as pessoas tentando viver um dia de cada vez e tentando controlar as poucas e ínfimas coisas que ainda estão no nosso controle.

Para mim, são 68 dias desde que a rotina mudou da água pro vinho. A última vez que saí pra trabalhar foi em 17 de Março e desde então o mais longe que fui foi até o antigo prédio que morava buscar uma encomenda que minha mãe mandou pra lá. Um trajeto de 3km feito com tanta apreensão que nem consegui sentir a nostalgia de voltar no lugar onde fui criada.  Vou contar que mesmo apesar da falta de coletividade, sinto um pouco de inveja das pessoas que seguem suas vidas despreocupadas com essa pandemia. Fico me perguntando se elas não sentem o estômago afundar um pouquinho a cada dia que o número de mortes aumenta e com os trabalhadores da área da saúde dando sangue, suor e lágrimas pra tentar atender a todos os doentes.

Tenho tentado me manter alheia o suficiente pra não sofrer com a situação caótica do nosso país mas sem esquecer da gravidade da situação. Eu tenho a sorte e o privilégio de manter o meu emprego, com meu salário e benefícios, de ter  uma casa confortável com um quarto só meu onde eu posso pintar e bordar como eu quiser e pais dedicados que sempre prezam pelo meu bem estar. Apesar de ranzinza sempre tive plena consciência dessas coisas mas acho que nunca estive tão aliviada e grata mesmo com as dificuldades que vinham bem antes de tudo isso acontecer.

Não vou tentar pintar essa parte da história com lentes cor-de-rosa e falar que temos que ser gratos, aproveitar para fazer x ou y enquanto tem muita gente em situações mais do que precárias lutando hoje para conseguir chegar no amanhã. Na verdade esse post é mais um lembrete meu para mim mesma de que não tenho do que reclamar, que eu tenho sorte, que eu não estou nessa situação confortável porque “eu mereci” mas porque uma série de acontecimentos que vem desde antes de eu nascer me colocaram aqui.

these are a few of my favorite things

Falar que a vida não anda fácil é a mesma coisa que dizer que a terra é redonda.  Há quem ache que não e que é tudo intriga da oposição, mas é uma verdade incontestável.

Eu poderia fazer uma lista relativamente longa das coisas que ainda quero mudar porque não me satisfazem e dos problemas que não consigo resolver, mas outra verdade incontestável é que reclamar eternamente não vai mudar muita coisa. Por isso ando vendo a importância de celebrar – e agradecer – pelos momentos de alegria e plenitude por mais raros ou breves que eles sejam.

Lembrar que, apesar de difícil, viver é bom e experimentar as coisas do mundo fazem até as dores de cabeça valer a pena.

Conversar sobre a vida por horas a fio com um amigo querido, aproveitar o dia de sol depois de tanta chuva, conhecer um café novo num espaço gostoso, reencontrar pessoas que você viu pela última vez há uma década e capturar esses momentos numa foto. Coisas tão simples que tomamos por tão certas que quando não podemos ter ficamos desconcertados.

Esse post tinha um outro rumo antes do mundo entrar numa pandemia e todos se trancarem em casa (pelo menos os que tem esse privilégio). No entanto, apesar dos dias que já eram difíceis terem ficado ainda mais desafiadores, tentar manter uma atitude positiva ainda é um jeito de não enlouquecer. Encontrar abrigo emocional em coisas que nos trazem alegria é um jeito de lidar com a conjuntura mundial atual. Por isso vim compartilhar algumas das minhas coisas preferidas dentro de casa.

Fazer handletterig ou simplesmente escrever para limpar a mente.

deixar algumas pedras para limpara a energia do ambiente e queimar incensos ajudam quando a cabeça não para

arrumar meu quarto e deixar coisas fofas à vista

cuidar do meu cacto de estimação