nem todos os que perambulam…

Acho que boa parte das pessoas deve conhecer a famosa frase “not all those who wander are lost“, que se traduz para o português como “nem todos os que vagueiam estão perdidos” dentro de um poema de Tolkien.

Essa frase sempre teve um peso importante na minha vida porque eu sempre achei que, por não estarem perdidos, aqueles que vagam tem – no fundo – uma direção certa e maior que os leva por tantos caminhos mas com um destino final.

Mas e se vagar for o caminho? Se esses que vagueiam tem como propósito explorar o mundo e tudo que há nele, sem sentir a necessidade de se prender a um caminho só? Tive essa pequena epifania durante uma meditação guiada focada em encontrar meu propósito, e não digo que uma única sessão de meditação me iluminou de tal forma, mas foi olhando para mim, me perguntando quem eu sou ou o que eu quero ser que pensei nisso. Ainda tenho internalizada essa coisa de que é necessário ter o caminho, o propósito único mas sem nunca pensar que talvez esse caminho seja percorrer vários caminhos, explorar o mundo para me encontrar e me encontrar ao explorar.

É algo que me trouxe muitos motivos para refletir e uma sensação de acolhimento que há muito eu não sentia. Existem muitos caminhos e escolher um só é o tipo de coisa que me tira o sono mas se eu puder escolher explorar sem a pressão de definir, de escolher e me permitir ficar o quanto eu quiser e partir se eu quiser. E quando digo explorar o mundo não precisa ser através de viagens, mas de assuntos, atividades e coisas variadas que posso até nunca nem ter pensado em explorar. E é ali que encontro sentido em viver e me sinto impelida a descobrir e procurar sempre mais.

Talvez…

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desconectada

Às vezes a vida tem coisas demais.

Informações demais, cores demais, gente demais, opiniões demais.

Às vezes a gente só precisa se desconectar. Desapegar do feed interminável cheio de coisas interessantes (ou nem tanto) pra ver, não tuitar aquela reclamação que não vai realmente melhorar o nosso problema, não ouvir o que quer que as pessoas tenham pra dizer sobre o que quer que seja a discussão do momento.

Às vezes ter como única distração os joguinhos do celular é o suficiente, e quando não é, veja só, a gente encontra o tempo pra estudar a conjugação de verbos numa língua nova, para arrumar o quarto, hidratar o cabelo, prestar atenção de verdade na série que estamos vendo ou simplesmente deixar a mente descansar e dormir.

Passei três dias longe das duas redes sociais que mais consomem meu tempo no fim de semana passado e, apesar de ter estranhado, foi uma experiência muito boa. No domingo à noite reinstalei tudo mas não consegui passar muito mais tempo, ainda mais no twitter onde a informação corre a 200km/h, eu me senti zonza por não fazer ideia do que as pessoas estavam falando. O instagram foi algo mais fácil, a armadilha de perder tempo que é o stories é tão sutil que a gente gasta uma hora ali sem nem perceber, mas mesmo assim perdi um pouco da paciência ao perceber que o conteúdo em nada se alterou nas minhas quase 72 horas de ausência. 

Definir prioridades e com o que eu gasto meu tempo sempre foi algo muito difícil pra mim, tenho o péssimo hábito de escolher o que é mais fácil ou que parece mais divertido e nessa acabo me prejudicando e não conseguindo atingir meus objetivos. O bom de ficar mais velha é que acabei percebendo que tudo isso está dentro do meu controle e as desculpinhas que antes eu me dava começam a me irritar. Acho que todo mundo passa por essa etapa na vida de realização de “nossa, a vida é minha mesmo né?” e resolve tentar tomar vergonha na cara e melhorar. 

Quanto mais o tempo passa minha régua pesa mais do que a régua dos outros e sinto mais e mais a necessidade de ser honesta com quem eu realmente sou ao invés de tentar atender às expectativas dos outros. É um processo complicado e muito confuso que quase nunca rende um texto coeso.

nolikes

Foto de Prateek Katyal no Pexels

Hoje resolvi desinstalar o twitter do celular de novo, vou me afastar mais um pouco porque o que eu preciso agora não é do escapismo das redes sociais, mas sim focar o olhar para mim e os caminhos a minha frente e tomar algumas atitudes. E se por um lado eu me desconecto dos outros, por outro eu me reconecto aqui. Com a minha história, minhas experiências e minhas descobertas. 

A vida vem em ondas, como um mar.

Uma das poucas coisas sobre mim que não muda é que estou sempre mudando.

Acho que posso atribuir esse traço de personalidade ao meu signo do zodíaco ou qualquer outra arbitrariedade do universo. Mas é uma verdade inegável que eu tenho um siricutico danado de mudar de lugar, de cabelo, de blog. Não consigo nem apontar com alguma exatidão quando comecei a escrever, mas faz muito tempo. Desde lá eu parei e voltei, parei e voltei, com a escrita, com os nomes, as plataformas. De vez em quando eu acerto algumas afirmações sobre mim que se provam verdades absolutas não importa quanto tempo passa.

Minhas mudanças de identidade são muitas mas são, também, um pouco previsíveis. E depois de ter redescoberto uma conta que há muito eu nem lembrava que existia eu topei também com outra versão de mim passando por um momento bem parecido. E ironicamente foi a minha eu de 2013 que me deu um nome para este blog que estava até então não identificado, uma vez que a minha “marca” de anos já não me representa mais – pelo menos no presente momento – eu ainda a deixo guardada para minha apreciação particular, mas eu queria uma nova velha faceta para essa época da vida que resolvi compartilhar de novo na internet (não que eu não compartilhe nada né?)

Em 2013 eu ainda usava a plataforma Blogger para escrever e, cansada de me sentir tão Desconexa, adotei um novo nome para meu espaço cibernético. Fora do Lugar foi um nome simples, que ilustrava bem a minha personalidade de nunca ficar parada muito tempo no mesmo lugar. Na época até me permiti uma brincadeirinha com o link que hoje trago de volta no título do blog, a url com meu nome permanece a mesma porque essa é uma coisa que não muda não importando se eu gosto ou não (e eu já passei muitos anos detestando o meu nome).

Como já cantava Lulu Santos:

“Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro, sempre”

giphy