Tenho o meu próprio tempo…

Quero ler mais, por que? Porque gosto de ler, porque gosto de me envolver numa história ou de aprender uma coisa nova.

Mas medir meu hábito pela régua dos outros é sempre uma merda. Porque aí surge a comparação, surge a ânsia de querer acompanhar alguém cuja rotina pode ser o total oposto da minha… E daí? Como que faz?

Apesar de acreditar e entender o poder da disciplina e de um planejamento diário de atividades, se ler, para mim, é um hobby, nada mais justo do que fazer quando me der na telha certo? Certo.

Eu sinto saudade de ler, sinto saudade de escrever. Quero gastar meu tempo de um jeito que me satisfaça mas quero fazer tudo no meu tempo.

(talvez isso não faça nenhum sentido mas talvez o sentido seja o sentimento comum)

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sobre (in)constância

Eu tenho esse hábito. Ou vício. Ou sei lá que nome posso dar que acredito ser comum a muitas outras pessoas.

A de começar algo na maior empolgação e depois ir ficando com preguiça, esquecendo, até abandonar novamente algo que eu até gostava mas não tive a força de vontade de continuar. Já fiz isso com um curso da faculdade, a academia que frequentei, idiomas que inventei de aprender e até esse blog.

Nos poucos posts que publiquei aqui até agora já deixei mais do que claro que numa tentativa de não surtar com o mundo e onde estamos na nossa história enquanto humanidade, resolvi cuidar de mim, do meu desenvolvimento pessoal e rever essas pequenas falhas de caráter que parecem inofensivas mas podem ser muito prejudiciais.

Essa minha mania de não seguir com as coisas mesmo que elas me façam bem foi algo que nunca entendi muito bem e talvez por isso nunca tenha conseguido, de fato, combater. Muitas vezes acho que não tenho nada pra falar, mas eventualmente acabo voltando para o caderno que uso de “diário” (que não é nada diário) e sinto saudade de compartilhar coisas aqui. Mesmo que ninguém leia, eu acho meio terapêutico expor minhas palavras na terra de ninguém que é a internet vai que alguém tropeça aqui e se identifica?

Outro dia pensando nesse cantinho me vi usando as palavras “tenho que” postar aqui, “tenho que” pensar em outros posts. Mas eu tenho mesmo? Não estou recebendo nada por isso. E acho que no final das contas é essa sensação de obrigatoriedade que surge dentro de nós mesmos que nos dá essa preguiça. Em vários posts de organização que li ultimamente as pessoas comentam que nossas motivações, se não forem fortes o suficiente, minguam, e junto com elas nosso esforço em fazer algumas coisas. Que nosso cérebro tende a ficar sempre no que já é conhecido então se a gente não facilitar essas coisas ao máximo isso sempre vai acontecer.

Não sei porque mas acho até que consolador o fato que essa tendência a se autossabotar pode ser explicada pela ciência. Mas também fico pensando no esforço que é reeducar nosso cérebro e por isso é mais fácil desistir. Então nos últimos dias venho pensando na minha motivação para fazer as coisas e como posso me lembrar delas constantemente. Defini também que não vou ficar me cobrando para postar aqui porque foi isso que me afastou da escrita uma vez. Se eu tiver um post por dia numa semana e mais nada pelo próximo mês, paciência. Isso aqui é um hobby que não planejo monetizar então tudo bem.

Inconstância não é necessariamente uma coisa ruim se seu objetivo é só extravasar alguns pensamentos de dentro da cachola.

meditação

Uma das coisas que comecei (e depois parei, e comecei de novo) durante a quarentena é a meditar. 

Eu, que sempre admiti que era uma pessoa inquieta demais tanto física quanto mentalmente, me peguei sobrecarregada durante esse momento louco que ainda estamos vivendo e resolvi me desafiar – literalmente – a praticar o ficar quieta, limpar a mente e tentar realinhar minhas energias que estavam totalmente bagunçadas. No começo foi tudo muito difícil mas conforme eu ia meditando mais fácil ia ficando, até que eu me senti bem o suficiente para não sentir tanta necessidade assim ou deixar a preguiça vencer mesmo quando eu senti que precisava. 

É engraçada essa coisa de criar hábitos porque no começo mesmo a gente vendo os efeitos positivos ainda tem aquela preguiça que se prolonga e quando vê já perdemos o hábito de novo. Se meditei quase todos os dias no primeiro mês da quarentena, passei os dois seguintes com preguiça até que minha inquietação começou a ficar grande demais de novo.

Meditar é um treco engraçado. É quase como dormir e estar acordado ao mesmo tempo e, se você assim como eu acredita em energias, quando você se concentra o suficiente dá pra sentir fisicamente a sua energia mudando. É uma prática boa e ainda que desafiadora procurei inserir ela na rotina que estou criando para mim. Já percebi que meditar de manhã é a melhor hora porque a cabeça ainda está descansada e fresca o suficiente para ajudar no “desligamento” do resto do mundo, o que também ajuda no foco e a direcionar o tipo de energia que queremos ter para o resto do dia. 

Por enquanto tenho feito meditações guiadas porque não tenho ainda a capacidade de me desligar totalmente sozinha. Estava mais focada em descobrir algum app de graça que tivesse uma seleção boa de meditações guiadas e encontrei o Insight Timer indicado pela Thais do Vida Organizada, mas já busquei também no Spotify e no Youtube principalmente meditações para energias positivas e foco para ajudar no trabalho. Só que é engraçado perceber as repetições nos guias das sessões de positividade, chega a ser risível ter uma pessoa falando todos aqueles quotes inspiracionais que a gente acha no pinterest em voz alta para você. Mas numa dessas sessões que termina com uma série de mantras me peguei segurando uma que conversou muito com o que tenho aspirado para a minha vida. 

essa eu postei no meu instagram (@ale.csrdesigns)

No mais, meditar tem me ajudado a cuidar da mente e do espírito mesmo apesar de tudo, e tem sido uma lanterna que ajuda a me guiar em caminhos tão nebulosos (nossa, que profundo). Sem falar que realmente ajuda a dormir melhor, a concentrar mais e a deixar o coração mais tranquilo.

encontrando o equilíbrio com o que me foi dado

Será que existem pessoas nesse mundo que não são sensíveis a energia?

Pergunto isso a você porque eu, de fato, sou uma pessoa extremamente sensível a energias, das coisas, dos lugares, dos outros, do universo em geral. Muito do meu comportamento é reflexo de como a minha energia conversa com a energia do lugar, dos outros (do universo) . E embora seja muito legal ter essa intuição, essa anteninha que já me fala – e acerta 9 em 10 vezes – que eu não vou me dar bem com tal pessoa ou não vou ficar confortável em x lugar, também é meio complicado quando você fica confinada a um cômodo da sua casa 90% do tempo durante a pandemia e a energia do cômodo não te deixa quieta.

 

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Foto de Shiva Smyth no Pexels

Minha mãe já apontou, e eu concordo até certo ponto, que essa inquietação se deve à insatisfação com o meu lugar no mundo no momento. Só que minha mãe não percebe, seja porque não consegue ou porque simplesmente não prestou atenção ainda, é que na nossa casa existe uma carga energética muito grande e isso não é necessariamente uma coisa ruim, mas para pessoas mais sensíveis como eu, meu pai e minha irmã, pode ser um tanto problemático se não soubermos direcionar essa energia para o nosso bem.

Eu acho que desde que o auto isolamento começou eu devo ter mudado a disposição dos móveis do meu quarto umas 20 vezes, sem nenhum exagero. Tudo isso porque minhas ambições para o meu pequeno cômodo eram grandes, o espaço é limitado e a energia complicada, então eu resolvi (tentar) aplicar o feng shui. Eu sempre achei o feng shui um assunto interessante mas nunca me aprofundei nele porque 1) é da minha natureza não me aprofundar em nada e 2) eu nunca tive um espaço só meu para poder aplicar.

Aí eu ganhei um quarto só pra mim. Um quarto com uma parede que é uma divisa do banheiro, uma janela grande demais e vizinhas com uma energia tão não-gracinha que nem todos os incensos, mantras e velas conseguem resolver. E isso essencialmente resume a dança das cadeiras que venho fazendo com meus móveis até eu aceitar as minhas limitações, fazer concessões e entender que por mais que eu queira, em 90% das vezes as condições não serão totalmente favoráveis e eu vou ter que aprimorar o meu foco para ele não ir saindo pela janela atrás de mim, exercitar minha criatividade para ela não ir pelo cano do ralo ou da descarga e principalmente flexibilizar meu jeito de pensar e de ser um pouquinho, porque eu sou 8 ou 80 e infelizmente até hoje não tirei nenhum proveito disso tudo.

Comprido demais e não leu nada? Tentei incorporar o feng shui no meu quarto, mas a composição da casa inteira impossibilita o sucesso em sua totalidade. Então quebrei a cabeça até aprender a trabalhar com o que eu tenho e considerar o que me deixa tranquila e criativa dentro disso.

 

 

tempos mais simples

Acho válido lembrar que eu sou uma pessoa inquieta.

Desconfio que tenha algum grau de déficit de atenção que me torna impossível de prestar atenção numa coisa por mais que 5 minutos, que me dá siricuticos de ficar andando em círculos dentro do meu próprio quarto quando sinto que estou sentada há tempo demais. 

Junte essa inquietação natural a uma sensibilidade com energias dos lugares e você terá uma pessoa que vive desconfortável 90% do tempo. Já comentei sobre a benção que é ter um teto todo meu onde eu posso mudar as coisas ao meu bel prazer e bem, é a única coisa que tenho feito durante esses tempos doidos para me distrair e tentar ter alguma paz de espírito… Não funciona muito, mas jogar tetris com os móveis do meu quarto geralmente me ajuda a gastar energia e tentar controlar a sensação de desamparo que sinto quanto realmente paro para pensar na atual conjuntura mundial™.

Voltar a escrever é uma coisa que tem me ajudado a controlar um pouco essa inquietude. Digitar um post sem grandes pretensões de comunicar qualquer coisa além de compartilhar um pouco do caos que vem do meu subconsciente é uma coisa que sempre me ajudou e eu tinha esquecido porque estava extremamente soterrada com outras neuras e tretas. Claro que quando a coisa apertava eu recorria ao velho caderno e caneta para extravasar tudo de – geralmente – ruim que eu guardava no peito e conforme as coisas ruins foram acabando (graças a Deus) voltei a sentir falta de compartilhar essas palavras sem qualquer motivo especial pelo simples fato de que eu estou aqui, e deve ter alguém aí fora da minha própria tela que também pode se sentir assim e que pode se sentir menos sozinha, se sentir um pouco mais tranquila e experimentar aquela sensação engraçada que a gente tinha ao chegar num blog novo e desconhecido e se identificar com as palavras de outras pessoas mas que poderiam muito bem ser nossas.

Veja bem, eu não quero tirar o mérito de pessoas que escrevem posts com conteúdo e propósito. Mas sendo uma pessoa que cresceu tendo um “diário” online aberto para o mundo é natural sentir falta e querer, de alguma forma, recriar esse ambiente despretensioso de escuta e de troca de experiências, sentimentos e descobertas.

Talvez este seja mais um post pedindo a volta dos blogs “raíz”.

writing flowers

Photo by Florian Klauer on Unsplash (Máquina de escrever) – Photo by Christie Kim on Unsplash (flores) – Foto de Pixabay no Pexels (textura de escrita no fundo)

quando eu penso em “casa”

Para ler ouvindo “Home” interpretado por Diana Ross

When I think of home
I think of a place where there’s love overflowing
I wish I was home
I wish I was back there with the things I been knowing

Ficar trancada em casa durante esses três meses de quarentena me fez perceber a necessidade de ter um canto meu, que reflita quem eu sou, o que eu gosto e que me deixe confortável o suficiente para criar. Claro, Vírginia Woolf já disse tudo isso e mais um pouco quando escreveu Um Teto Todo seu em 1929 e infelizmente consigo ver que pouca coisa mudou para as mulheres quase cem anos depois. Se para muita gente ter um teto qualquer que seja sobre a própria cabeça ainda é considerado um privilégio, imagina para uma mulher ter um cômodo que seja só para si.

Eu não tenho aqui a pretensão de comentar o mundo e a sociedade dos quais eu entendo tão pouco. Esse blog é, antes de mais nada, o meu teto virtual sob o qual posso escrever minhas impressões baseada na minha experiência de vida que tem sido muito confortável e sem grandes dificuldades. Mas é exatamente por ter essa noção do quão privilegiada eu sou, que me pego cada vez mais grata por ter um teto todo meu. Onde eu posso “mandar e desmandar” e fazer o que me der na telha sem precisar da aprovação de ninguém.

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And just maybe I can convince time to slow up
Giving me enough time in my life to grow up
Time be my friend, let me start again

É claro que ainda morando com meus pais isso tudo fica ainda mais fácil, mas tenho que agradecer também pela liberdade que me é dada sendo uma pessoa ainda tão dependente dos meus progenitores. E sendo obrigada a passar tanto tempo dentro do meu quarto e da minha casa, dediquei boa parte do meu tempo e dinheiro a deixar tudo  mais meu possível. E é por isso que faz um tempo eu tenho tido vontade de ler, escrever, tirar fotos e até cantar (por pior que eu cante).

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Apesar de sempre ter uma lista de meia dúzia de coisas que gostaria de mudar ou melhorar, eu sou extremamente grata de ter esse privilégio de poder não só ter um lugar para chamar de minha casa, mas de também ter, dentro dessa casa, um espaço que reflete minha essência e que eu posso mudar e renovar conforme eu mesma vou mudando. 

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Quando eu penso em casa eu penso nas paredes azul claro do meu quarto, dos móveis brancos recheados com cores das minhas roupas, livros e decoração. Eu penso no sol do fim de tarde que reflete dourado em cada canto e do vento que sopra às vezes quente, às vezes frio. Eu penso na minha cama e nas minhas almofadas e no cheiro dos incensos que ficam na gaveta da mesa de cabeceira. Eu penso na sensação de paz e aconchego e no descanso que sempre vez confortável e seguro.

And I’ve learned
That we must look inside our hearts
To find a world full of love
Like yours
Like me

these are a few of my favorite things

Falar que a vida não anda fácil é a mesma coisa que dizer que a terra é redonda.  Há quem ache que não e que é tudo intriga da oposição, mas é uma verdade incontestável.

Eu poderia fazer uma lista relativamente longa das coisas que ainda quero mudar porque não me satisfazem e dos problemas que não consigo resolver, mas outra verdade incontestável é que reclamar eternamente não vai mudar muita coisa. Por isso ando vendo a importância de celebrar – e agradecer – pelos momentos de alegria e plenitude por mais raros ou breves que eles sejam.

Lembrar que, apesar de difícil, viver é bom e experimentar as coisas do mundo fazem até as dores de cabeça valer a pena.

Conversar sobre a vida por horas a fio com um amigo querido, aproveitar o dia de sol depois de tanta chuva, conhecer um café novo num espaço gostoso, reencontrar pessoas que você viu pela última vez há uma década e capturar esses momentos numa foto. Coisas tão simples que tomamos por tão certas que quando não podemos ter ficamos desconcertados.

Esse post tinha um outro rumo antes do mundo entrar numa pandemia e todos se trancarem em casa (pelo menos os que tem esse privilégio). No entanto, apesar dos dias que já eram difíceis terem ficado ainda mais desafiadores, tentar manter uma atitude positiva ainda é um jeito de não enlouquecer. Encontrar abrigo emocional em coisas que nos trazem alegria é um jeito de lidar com a conjuntura mundial atual. Por isso vim compartilhar algumas das minhas coisas preferidas dentro de casa.

Fazer handletterig ou simplesmente escrever para limpar a mente.

deixar algumas pedras para limpara a energia do ambiente e queimar incensos ajudam quando a cabeça não para

arrumar meu quarto e deixar coisas fofas à vista

cuidar do meu cacto de estimação