meditação

Uma das coisas que comecei (e depois parei, e comecei de novo) durante a quarentena é a meditar. 

Eu, que sempre admiti que era uma pessoa inquieta demais tanto física quanto mentalmente, me peguei sobrecarregada durante esse momento louco que ainda estamos vivendo e resolvi me desafiar – literalmente – a praticar o ficar quieta, limpar a mente e tentar realinhar minhas energias que estavam totalmente bagunçadas. No começo foi tudo muito difícil mas conforme eu ia meditando mais fácil ia ficando, até que eu me senti bem o suficiente para não sentir tanta necessidade assim ou deixar a preguiça vencer mesmo quando eu senti que precisava. 

É engraçada essa coisa de criar hábitos porque no começo mesmo a gente vendo os efeitos positivos ainda tem aquela preguiça que se prolonga e quando vê já perdemos o hábito de novo. Se meditei quase todos os dias no primeiro mês da quarentena, passei os dois seguintes com preguiça até que minha inquietação começou a ficar grande demais de novo.

Meditar é um treco engraçado. É quase como dormir e estar acordado ao mesmo tempo e, se você assim como eu acredita em energias, quando você se concentra o suficiente dá pra sentir fisicamente a sua energia mudando. É uma prática boa e ainda que desafiadora procurei inserir ela na rotina que estou criando para mim. Já percebi que meditar de manhã é a melhor hora porque a cabeça ainda está descansada e fresca o suficiente para ajudar no “desligamento” do resto do mundo, o que também ajuda no foco e a direcionar o tipo de energia que queremos ter para o resto do dia. 

Por enquanto tenho feito meditações guiadas porque não tenho ainda a capacidade de me desligar totalmente sozinha. Estava mais focada em descobrir algum app de graça que tivesse uma seleção boa de meditações guiadas e encontrei o Insight Timer indicado pela Thais do Vida Organizada, mas já busquei também no Spotify e no Youtube principalmente meditações para energias positivas e foco para ajudar no trabalho. Só que é engraçado perceber as repetições nos guias das sessões de positividade, chega a ser risível ter uma pessoa falando todos aqueles quotes inspiracionais que a gente acha no pinterest em voz alta para você. Mas numa dessas sessões que termina com uma série de mantras me peguei segurando uma que conversou muito com o que tenho aspirado para a minha vida. 

essa eu postei no meu instagram (@ale.csrdesigns)

No mais, meditar tem me ajudado a cuidar da mente e do espírito mesmo apesar de tudo, e tem sido uma lanterna que ajuda a me guiar em caminhos tão nebulosos (nossa, que profundo). Sem falar que realmente ajuda a dormir melhor, a concentrar mais e a deixar o coração mais tranquilo.

Publicidade

destralhando meu próprio caminho

Uma das minhas maiores dificuldades da vida é manter o foco. Me concentrar em uma coisa só por vez é extremamente difícil e é por isso que eu tenho a tendência de começar 500 coisas e não terminar nenhuma. Seja porque eu fico com preguiça de continuar, desmotivada ou simplesmente esqueço porque minha mente já foi se fixar brevemente em outro ponto, a verdade é que fazendo uma análise honesta foram poucas coisas na minha vida que comecei e completei.

Mas como já comentei aqui, estou na jornada de me tornar uma pessoa organizada real e definitivamente e ando seguindo muito as dicas da Thais Godinho do Vida Organizada para me ajudar a trilhar esse caminho tão desconhecido e por vezes intimidador. A Thais fala que o processo de organização tem 5 etapas: Destralhar, Organizar, Arrumar, Manter e Curtir. No blog dela ela detalha o que consiste cada etapa, mas reforça que cada um tem um estilo de vida e é de um jeito. E isso foi algo que bateu em mim e grudou de tal forma que me ajudou a – ainda que inconscientemente – começar o meu processo com esse guia, mas ainda assim do meu jeito. 

Como eu ainda moro com meus pais, o espaço que tenho para chamar 100% de meu consiste no meu quarto e no meu banheiro. E como venho trabalhando em aprimorar o meu quarto desde o ano passado, estava com certa dificuldade em achar o que mais destralhar visto que com todo o processo de mudar os móveis e pintar eu já vinha catando coisas aqui e ali que já não fazia sentido manter.

Até que num domingo passado eu resolvi lavar o meu banheiro e entendi que não dá pra arrumar tralha. Conforme eu ia tirando os itens para liberar o espaço para poder lavar eu notei a quantidade de coisas que eu matinha naquele espaço e que eu não precisava mais. E olha que meu banheiro é pequeno. Mas também percebi que consigo fazer esse discernimento muito melhor quando resolvo limpar – que na minha visão se encaixa na terceira etapa – porque aí eu consigo me livrar daquela coisa de “estava sempre aí então eu preciso”.

Depois de lavar o banheiro e descansar um pouco enquanto esperava o espaço secar para repor meus itens pessoais, fui vendo o que realmente ainda servia para mim e o que estava ali só ocupando espaço. Precisei começar a arrumar o ambiente para que pudesse ver o que realmente era tralha ali, e depois de arrumar/limpar é que consegui destralhar o ambiente e já tirar um peso enorme dos ombros.

E de novo, tudo o que estou contando nessa série de posts é a minha experiência pessoal de uma pessoa que não tem nenhum treinamento/conhecimento/método sobre organização. Esses são relatos da minha jornada individual. E se quiser começar a tomar rumo nessa vida sugiro que faça suas próprias pesquisas e análises pessoais, porque cada um é cada um.

coisas que sinto falta sobre o escritório (ou não)

Ontem eu tive que ir ao escritório da empresa onde trabalho para resolver algumas coisas e enquanto estava lá, enquanto estou me aproximando do 5º mês de home office por conta dessa quarentena – e todos os posts de 2020 vão ter essa coisa terrível como pano de fundo – posso dizer com certeza que existem algumas coisas que tinha no escritório e não tenho aqui e que me fazem falta:

  • Silêncio. A possibilidade do escritório inteiro ficar no mais absoluto silêncio, sem vizinho chato falando alto, sem cachorro latindo, sem minha mãe falando alto com os alunos dela ou a obra do outro vizinho.
  • Arquivo. Minha empresa só tem base de dados digitalizada no servidor de 2015 para frente, mas como muitos membros dos grupos técnicos estão colaborando com a associação há mais tempo vira e mexe surge a necessidade de puxar alguma informação ou documento do começo da década e não ter essa facilidade muitas vezes é um saco. 
  • Respeito pelo horário. Sabe aquele senso comum de que no home office trabalhamos mais porque perdemos aquele senso de blocos de horário? Horário para chegar, horário de almoçar, horário de sair. No home office como a gente não tem nada para marcar isso, tem sido muito comum receber mensagens ou ligações pedindo para fazer isso ou aquilo enquanto almoço (claro que eu geralmente espero para terminar o horário certo, mas nem sempre rola), ou perceber que passei do expediente esperando a resposta de algum e-mail. 

Agora outras coisas que o home office – ainda que forçado – me proporcionou e que com certeza farão falta quando eu tiver que voltar:

  • Dormir. Atualmente meu expediente começa as 08h30, então acordar 1 hora antes só e poder fazer toda a minha rotina matutina com calma antes de logar no computador ta sendo ótimo. Antes para estar no trabalho (antes) das 8h eu tenho que sair de casa às 6h/6h30 para aproveitar a carona com a minha mãe e nunca rolava as oito horas de sono que a gente sabe que precisa. 
  • Flexibilidade para fazer outras coisas. Alguns dias no trabalho são absolutamente tediosos e consigo completar minha to-do list logo pela manhã o que me deixa com a tarde livre. No escritório, usando o computador – velho e lento – da empresa eu fico muito limitada ao que posso fazer nos meus projetos pessoais, poder usar meu notebook que é melhor me dá a chance de escrever posts para o blog, editar projetos de design, fazer exercícios ou simplesmente ir pra varanda dos meus pais ver a vida passar e isso é muito bom. 
  • Comodidade de ficar em casa. Também conhecida como não ter que aguentar o transporte público em horário de pico, principalmente se o metrô tem alguma falha 5 minutos antes de você sair do trabalho e ter que esperar 758 trens passarem pra você conseguir entrar e ir feito uma sardinha enlatada com o resto do proletariado. Ou ter uma cadeira boa para sentar, uma escrivaninha com espaço suficiente para se organizar e etc.  

Claro que eu tenho muita sorte de ter mantido meu emprego e ter a possibilidade de trabalhar de casa, evitando me expor ao vírus, mas confesso que se fosse em situações normais eu ainda preferiria a opção de trabalhar em casa mais dias da semana do que no escritório. Infelizmente minha posição atual não me possibilita isso em condições normais, por isso vou aproveitando enquanto posso. 

A roda da vida

 

greg-rakozy-oMpAz-DN-9I-unsplash
Photo by Greg Rakozy on Unsplash

Num post anterior eu falei que estava numa jornada para me tornar uma pessoa organizada e melhorar os pontos na minha vida que não me trazem satisfação. Um dos primeiros passos foi olhar honestamente as categorias da minha vida segundo A Roda da Vida que, adivinhem só, ouvi a Thais do Vida Organizada comentar durante a live dela sobre como organizar o mês de agosto. No site da SB Coaching, a informação é que a Roda da Vida é

[…]é uma ferramenta utilizada para realizar avaliações pessoais. O método é baseado em um reflexão sobre as áreas fundamentais da nossa experiência diária, como relacionamentos, qualidade de vida e outros.

Falando em termos visuais, a roda da vida é um gráfico de pizza, onde cada fatia representa uma área da nossa vida pessoal e profissional e cabe a nós analisar e definir nosso nível de satisfação com cada área. As áreas em si podem ter outros nomes, mas como foi minha primeira vez anotei as categorias que vi na live: Saúde, Emocional, Estudo, Contribuição Social, Propósito, Finanças, Família, Amigos, Amor, Lazer, Espiritualidade e Plenitude e tentei aplicá-las para a minha vida.

E foi meio chocante perceber que a minha insatisfação com a minha situação – que achei que fosse tão pequena – estivesse relacionada a mais de uma área da minha vida.  Mas por um lado me ajudou a entender melhor exatamente no que preciso focar e quais áreas que estão em falta de satisfação se relacionam e podem – ou até precisam – crescer juntas. Não vou compartilhar minha roda da vida aqui porque acho um treco meio pessoal demais, mas vou contar as áreas que eu defini estar menos satisfeita.

Contribuição Social, Propósito, Estudos e Finanças. Essas quatro áreas não foram preenchidas nem pela metade, as duas primeiras ficando muito próximo do zero quando li sobre o que ela queriam dizer, mas não foi nenhuma surpresa tendo em vista que elas são relacionadas ao lado profissional e eu acho que nunca estive 100% satisfeita em qualquer emprego que eu tivesse. Mas isso é assunto para outro post, o que eu quero comentar aqui é que, apesar de terem as “notas” mais baixas entre as áreas da minha vida, meu foco para o mês de agosto para melhorar vai ser a parte de finanças. Não quero dizer que propósito e contribuição social não sejam importantes – afinal isso entra na parte de viver em sociedade que comentei -, mas sim porque esses são assuntos mais complexos que vão precisar de todo um processo para serem desenvolvidos. Então eu resolvi focar no meu item de primeira necessidade que tem um impacto direto nas outras áreas de minha vida e que, se estiver organizado, pode me ajudar massivamente no meu processo de desenvolver meu propósito e aumentar minha contribuição social. 

O que eu entendi e tirei da roda da vida é isso. Não é só preencher um gráfico e fazer uma análise quantitativa da sua satisfação em cada área individualmente, você precisa considerar o todo, entender o impacto que uma área tem na outra e definir o que é passível de ser melhorado no “curto” e longo prazo. Por isso meu foco tem sido reorganizar minhas contas e gastos, dar uma segurada no consumismo e manter o foco em ter uma vida que não seja só pagar boletos, e sim usar o dinheiro para atingir objetivos maiores e que vão me trazer mais satisfação do que uma brusinha nova ou um novo produto de skin care. 

Mas e aí? E se você fizer a sua roda da vida, o que achar que vai dar bom? Acho que é uma reflexão válida de se fazer. 

 

encontrando o equilíbrio com o que me foi dado

Será que existem pessoas nesse mundo que não são sensíveis a energia?

Pergunto isso a você porque eu, de fato, sou uma pessoa extremamente sensível a energias, das coisas, dos lugares, dos outros, do universo em geral. Muito do meu comportamento é reflexo de como a minha energia conversa com a energia do lugar, dos outros (do universo) . E embora seja muito legal ter essa intuição, essa anteninha que já me fala – e acerta 9 em 10 vezes – que eu não vou me dar bem com tal pessoa ou não vou ficar confortável em x lugar, também é meio complicado quando você fica confinada a um cômodo da sua casa 90% do tempo durante a pandemia e a energia do cômodo não te deixa quieta.

 

pexels-shiva-smyth-1051449
Foto de Shiva Smyth no Pexels

Minha mãe já apontou, e eu concordo até certo ponto, que essa inquietação se deve à insatisfação com o meu lugar no mundo no momento. Só que minha mãe não percebe, seja porque não consegue ou porque simplesmente não prestou atenção ainda, é que na nossa casa existe uma carga energética muito grande e isso não é necessariamente uma coisa ruim, mas para pessoas mais sensíveis como eu, meu pai e minha irmã, pode ser um tanto problemático se não soubermos direcionar essa energia para o nosso bem.

Eu acho que desde que o auto isolamento começou eu devo ter mudado a disposição dos móveis do meu quarto umas 20 vezes, sem nenhum exagero. Tudo isso porque minhas ambições para o meu pequeno cômodo eram grandes, o espaço é limitado e a energia complicada, então eu resolvi (tentar) aplicar o feng shui. Eu sempre achei o feng shui um assunto interessante mas nunca me aprofundei nele porque 1) é da minha natureza não me aprofundar em nada e 2) eu nunca tive um espaço só meu para poder aplicar.

Aí eu ganhei um quarto só pra mim. Um quarto com uma parede que é uma divisa do banheiro, uma janela grande demais e vizinhas com uma energia tão não-gracinha que nem todos os incensos, mantras e velas conseguem resolver. E isso essencialmente resume a dança das cadeiras que venho fazendo com meus móveis até eu aceitar as minhas limitações, fazer concessões e entender que por mais que eu queira, em 90% das vezes as condições não serão totalmente favoráveis e eu vou ter que aprimorar o meu foco para ele não ir saindo pela janela atrás de mim, exercitar minha criatividade para ela não ir pelo cano do ralo ou da descarga e principalmente flexibilizar meu jeito de pensar e de ser um pouquinho, porque eu sou 8 ou 80 e infelizmente até hoje não tirei nenhum proveito disso tudo.

Comprido demais e não leu nada? Tentei incorporar o feng shui no meu quarto, mas a composição da casa inteira impossibilita o sucesso em sua totalidade. Então quebrei a cabeça até aprender a trabalhar com o que eu tenho e considerar o que me deixa tranquila e criativa dentro disso.

 

 

ordem e caos

Eu sempre fui uma pessoa desorganizada.

Nunca fui muito disciplinada e muito menos inclinada a manter a ordem, sempre encontrei algum tipo de conforto dentro do meu caos pessoal e nunca senti uma necessidade muito grande de ser uma pessoa organizada. Mas o tempo passa, as pessoas mudam, as responsabilidades aumentam e de repente eu me vejo na beira dos trinta com mentalidade de uma criança de 10 anos para alguns assuntos e isso não é bom.

Depois de várias tentativas falhas, entendi que a questão em si não é mudar a minha essência mas sim buscar evoluir e melhorar os pontos da minha pessoa que não foram definidos. Faz alguns anos que venho tentando me organizar e nunca consigo manter a vida na linha por muito tempo e tem uma hora que chega né? Você resolve fazer algo e resolve que vai dar certo nem que seja a última coisa que você faça nessa vida e, bom, não quero que seja a última coisa que eu faça nessa vida.

Por isso comecei a ler materiais sobre isso com seriedade e aberta a ouvir e aplicar as dicas e instruções, comecei fuçando vários os posts do Vida Organizada que acho que podem ser bons pra mim e sentei para definir um caminho que seja condizente com a minha vida e que ajude a melhorar os meus caminhos. Tem coisas que é melhor a gente deixar só na nossa cabeça, mas firmar compromissos para ~o mundo~ é uma coisa que eu descobri que me ajuda a seguir isso com mais afinco.

Faz muito sentido? Provavelmente não. Mas é uma jornada que quero compartilhar aqui despretensiosamente.

Tomei essa decisão nos últimos dias de Julho e pela primeira vez não saí correndo com um pseudo-plano que não leva em consideração todas as variáveis da minha vida. Depois de ler alguns materiais e definir o item de primeira prioridade para resolver, sentei e olhei honestamente para a minha vida como ela é, as partes que mais me incomodam, minhas limitações, etc. Olhei desde o micro até o macro para poder entender como eu posso melhorar não só a minha condição sócio-econômica mas também a pessoa Alessandra. Confesso que é bem chato você medir seu nível de satisfação com a sua própria vida e perceber tudo o que falta, mas se tudo tem um lado positivo, a parte boa dessa análise honesta é também aproveitar essa honestidade para definir objetivos reais que eu quero atingir e não o que eu acho que deveria querer atingir. 

É um exercício que, se feito constantemente, nos deixa mais perto de quem realmente somos e como podemos melhorar ao não perder essa informação de vista. Claro que não dá pra ignorar completamente a nossa sociedade porque ela também tem um papel no indivíduo, mas ter essa noção de si te deixa mais seguro também para bancar ser quem se é apesar do que a sociedade diz. 

Eu não quero aqui me passar por especialista em nada. Esse post – e quantos mais outros vierem – é pura e simplesmente para compartilhar as impressões que eu tenho durante essa jornada de auto conhecimento e melhoramento. E convido a vir comigo quem quiser. 

roadtosweetdreams
Photo by Maria Bitencourt on Unsplash (neon) / Photo by Simon Migaj from Pexels (estrada)

 

desconectada

Às vezes a vida tem coisas demais.

Informações demais, cores demais, gente demais, opiniões demais.

Às vezes a gente só precisa se desconectar. Desapegar do feed interminável cheio de coisas interessantes (ou nem tanto) pra ver, não tuitar aquela reclamação que não vai realmente melhorar o nosso problema, não ouvir o que quer que as pessoas tenham pra dizer sobre o que quer que seja a discussão do momento.

Às vezes ter como única distração os joguinhos do celular é o suficiente, e quando não é, veja só, a gente encontra o tempo pra estudar a conjugação de verbos numa língua nova, para arrumar o quarto, hidratar o cabelo, prestar atenção de verdade na série que estamos vendo ou simplesmente deixar a mente descansar e dormir.

Passei três dias longe das duas redes sociais que mais consomem meu tempo no fim de semana passado e, apesar de ter estranhado, foi uma experiência muito boa. No domingo à noite reinstalei tudo mas não consegui passar muito mais tempo, ainda mais no twitter onde a informação corre a 200km/h, eu me senti zonza por não fazer ideia do que as pessoas estavam falando. O instagram foi algo mais fácil, a armadilha de perder tempo que é o stories é tão sutil que a gente gasta uma hora ali sem nem perceber, mas mesmo assim perdi um pouco da paciência ao perceber que o conteúdo em nada se alterou nas minhas quase 72 horas de ausência. 

Definir prioridades e com o que eu gasto meu tempo sempre foi algo muito difícil pra mim, tenho o péssimo hábito de escolher o que é mais fácil ou que parece mais divertido e nessa acabo me prejudicando e não conseguindo atingir meus objetivos. O bom de ficar mais velha é que acabei percebendo que tudo isso está dentro do meu controle e as desculpinhas que antes eu me dava começam a me irritar. Acho que todo mundo passa por essa etapa na vida de realização de “nossa, a vida é minha mesmo né?” e resolve tentar tomar vergonha na cara e melhorar. 

Quanto mais o tempo passa minha régua pesa mais do que a régua dos outros e sinto mais e mais a necessidade de ser honesta com quem eu realmente sou ao invés de tentar atender às expectativas dos outros. É um processo complicado e muito confuso que quase nunca rende um texto coeso.

nolikes

Foto de Prateek Katyal no Pexels

Hoje resolvi desinstalar o twitter do celular de novo, vou me afastar mais um pouco porque o que eu preciso agora não é do escapismo das redes sociais, mas sim focar o olhar para mim e os caminhos a minha frente e tomar algumas atitudes. E se por um lado eu me desconecto dos outros, por outro eu me reconecto aqui. Com a minha história, minhas experiências e minhas descobertas. 

125 dias

Quase 2 meses desde a primeira postagem falando sobre a atual conjuntura mundial que já não é mais tão mundial assim. Os 68 dias viraram 125, cento e vinte e cinco dias, são exatas três mil horas da minha vida que eu passei em semi confinamento. Eu vejo os jornalistas nas estações de metrô de São Paulo e penso que faz cento e vinte e dias que eu não rolo a catraca pra ir pra lugar nenhum. 

Foram 5 aniversários não comemorados de amigos – incluindo o meu – com aquela bagunça usual que envolve aglomeração, dividir bebidas, abraços e muita risada. A Fran outro dia me mostrou uma matéria que falava sobre redução de danos para as pessoas que estão começando a sofrer com esse isolamento voluntário e prolongado e, apesar de entender e até apoiar essa postura, eu particularmente ainda não consigo me desprender das nóias que envolvem sair para qualquer coisa que não seja o mercado ou a farmácia porque apesar de me alienar tanto quanto possível, ainda me espanta o número de mortes que só cresce e me preocupa o fato dos meus pais serem do grupo de risco.

125 dias depois as faltas que pesam mais, além da mera liberdade de poder ir e vir como eu bem entender, são as escolhas do cotidiano que contribuem para uma mente minimamente sã: Ir ao parque andar de bicicleta (alugada, sem ter ideia de quem possa ter usado antes de mim), sair com meus amigos para aqueles lugares de sempre, escolher descer umas estações antes do trabalho e fazer o resto do percurso a pé, ir pra academia, ir ao shoppíng com meu irmão só pra bater perna. São atividades que eu jamais poderia fazer com tranquilidade mesmo que esses lugares já estejam reabrindo.

O simples fato de não me preocupar com a saúde de quem está ao meu redor e como isso pode prejudicar a mim ou a minha família.

Vejo o governo tentando voltar a sociedade para um molde que já era errado antes, que já não funcionava antes e que está destinado a acabar algum dia, seja do jeito que for, tentando consertar uma fundação condenada, usando a população como uma coluna de apoio para que o dinheiro continue girando e foda-se se morrerem 100, 200, 500 mil pessoas. 

São 125 dias de desesperança e decepção. Quantos mais ainda virão?

tempos mais simples

Acho válido lembrar que eu sou uma pessoa inquieta.

Desconfio que tenha algum grau de déficit de atenção que me torna impossível de prestar atenção numa coisa por mais que 5 minutos, que me dá siricuticos de ficar andando em círculos dentro do meu próprio quarto quando sinto que estou sentada há tempo demais. 

Junte essa inquietação natural a uma sensibilidade com energias dos lugares e você terá uma pessoa que vive desconfortável 90% do tempo. Já comentei sobre a benção que é ter um teto todo meu onde eu posso mudar as coisas ao meu bel prazer e bem, é a única coisa que tenho feito durante esses tempos doidos para me distrair e tentar ter alguma paz de espírito… Não funciona muito, mas jogar tetris com os móveis do meu quarto geralmente me ajuda a gastar energia e tentar controlar a sensação de desamparo que sinto quanto realmente paro para pensar na atual conjuntura mundial™.

Voltar a escrever é uma coisa que tem me ajudado a controlar um pouco essa inquietude. Digitar um post sem grandes pretensões de comunicar qualquer coisa além de compartilhar um pouco do caos que vem do meu subconsciente é uma coisa que sempre me ajudou e eu tinha esquecido porque estava extremamente soterrada com outras neuras e tretas. Claro que quando a coisa apertava eu recorria ao velho caderno e caneta para extravasar tudo de – geralmente – ruim que eu guardava no peito e conforme as coisas ruins foram acabando (graças a Deus) voltei a sentir falta de compartilhar essas palavras sem qualquer motivo especial pelo simples fato de que eu estou aqui, e deve ter alguém aí fora da minha própria tela que também pode se sentir assim e que pode se sentir menos sozinha, se sentir um pouco mais tranquila e experimentar aquela sensação engraçada que a gente tinha ao chegar num blog novo e desconhecido e se identificar com as palavras de outras pessoas mas que poderiam muito bem ser nossas.

Veja bem, eu não quero tirar o mérito de pessoas que escrevem posts com conteúdo e propósito. Mas sendo uma pessoa que cresceu tendo um “diário” online aberto para o mundo é natural sentir falta e querer, de alguma forma, recriar esse ambiente despretensioso de escuta e de troca de experiências, sentimentos e descobertas.

Talvez este seja mais um post pedindo a volta dos blogs “raíz”.

writing flowers

Photo by Florian Klauer on Unsplash (Máquina de escrever) – Photo by Christie Kim on Unsplash (flores) – Foto de Pixabay no Pexels (textura de escrita no fundo)

1 passo pra frente, 2 passos pra trás

Já faz algum tempo eu desisti de estipular metas para mim.

Talvez porque eu mudo de ideia no meio do caminho, talvez porque muitas vezes eu não tenho a força de vontade de ir até o final ou talvez porque sempre que eu sinto qualquer ínfimo senso de controle vem algum imprevisto e bagunça tudo. Eu não lembro a última vez que estipulei uma meta pra mim por menor ou maior que fosse.

Uma coisa que aprendi sobre mim conforme os anos vão passando é que sou – e talvez sempre seja – uma pessoa de momentos. E que nos raros momentos em que encasqueto com uma vontade eu sou capaz de traçar um plano mais ou menos certo para conseguir o que eu quero, mas se esse plano vai acontecer ou mais ainda dar certo são outros 500. Conforme os anos vão passando venho sentindo uma necessidade de ser firmar em algo, seja numa profissão, num relacionamento, num desafio a ser superado. Faz um tempo isso me acompanhar, só que por anos eu me defini em termos que até hoje eu não sei se eram mesmo meus ou se eram o que eu acreditava que deveria ser.

Essa jornada de auto-conhecimento vem ficando mais profunda a cada dia que passa e eu tenho ficado cada vez mais desesperada com a minha falta de rumo a cada ano que passa. Tento acreditar que ainda há certa beleza em não ter um norte definido e na possibilidade de me descobrir a cada nova experiência, mas ainda acho que a essa altura da minha vida eu já deveria ter uma noção melhor de quem eu sou.

Me definir não é uma coisa na qual sou particularmente boa. Se muito eu já tenho uma longa lista de coisas que eu não gosto e que não quero ser ou fazer. Há quem diga que isso por si só já é uma boa definição de mim. Mas eu ainda preciso de mais. Preciso de algumas linhas que definam os meus limites, os meus valores, os meus alicerces individuais nesse mundo onde cada vez tudo fica mais igual. Genérico. Efêmero.

Se existe algo de bom para se achar na caótica situação mundial é que passar tanto tempo presa dentro do mesmo ambiente me dá a chance de pode olhar para dentro sem maiores distrações, é encarar as quatro paredes do meu quarto e decidir o que eu quero refletido nelas, o que eu quero manter e diferir o que eu realmente preciso do que eu achava que precisava. Das intenções que eu tinha definido para 2020 essa de aprimorar meu ambiente é a única na qual estou tendo qualquer tipo de sucesso, todas as outras viram uma dança de um pra frente, dois pra trás, gira para o lado e descobre mais uma falha de caráter, vira para o outro e tenta não perder a paciência.

E vou levando essa dança com o melhor e o pior de mim.