meditação

Uma das coisas que comecei (e depois parei, e comecei de novo) durante a quarentena é a meditar. 

Eu, que sempre admiti que era uma pessoa inquieta demais tanto física quanto mentalmente, me peguei sobrecarregada durante esse momento louco que ainda estamos vivendo e resolvi me desafiar – literalmente – a praticar o ficar quieta, limpar a mente e tentar realinhar minhas energias que estavam totalmente bagunçadas. No começo foi tudo muito difícil mas conforme eu ia meditando mais fácil ia ficando, até que eu me senti bem o suficiente para não sentir tanta necessidade assim ou deixar a preguiça vencer mesmo quando eu senti que precisava. 

É engraçada essa coisa de criar hábitos porque no começo mesmo a gente vendo os efeitos positivos ainda tem aquela preguiça que se prolonga e quando vê já perdemos o hábito de novo. Se meditei quase todos os dias no primeiro mês da quarentena, passei os dois seguintes com preguiça até que minha inquietação começou a ficar grande demais de novo.

Meditar é um treco engraçado. É quase como dormir e estar acordado ao mesmo tempo e, se você assim como eu acredita em energias, quando você se concentra o suficiente dá pra sentir fisicamente a sua energia mudando. É uma prática boa e ainda que desafiadora procurei inserir ela na rotina que estou criando para mim. Já percebi que meditar de manhã é a melhor hora porque a cabeça ainda está descansada e fresca o suficiente para ajudar no “desligamento” do resto do mundo, o que também ajuda no foco e a direcionar o tipo de energia que queremos ter para o resto do dia. 

Por enquanto tenho feito meditações guiadas porque não tenho ainda a capacidade de me desligar totalmente sozinha. Estava mais focada em descobrir algum app de graça que tivesse uma seleção boa de meditações guiadas e encontrei o Insight Timer indicado pela Thais do Vida Organizada, mas já busquei também no Spotify e no Youtube principalmente meditações para energias positivas e foco para ajudar no trabalho. Só que é engraçado perceber as repetições nos guias das sessões de positividade, chega a ser risível ter uma pessoa falando todos aqueles quotes inspiracionais que a gente acha no pinterest em voz alta para você. Mas numa dessas sessões que termina com uma série de mantras me peguei segurando uma que conversou muito com o que tenho aspirado para a minha vida. 

essa eu postei no meu instagram (@ale.csrdesigns)

No mais, meditar tem me ajudado a cuidar da mente e do espírito mesmo apesar de tudo, e tem sido uma lanterna que ajuda a me guiar em caminhos tão nebulosos (nossa, que profundo). Sem falar que realmente ajuda a dormir melhor, a concentrar mais e a deixar o coração mais tranquilo.

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coisas que sinto falta sobre o escritório (ou não)

Ontem eu tive que ir ao escritório da empresa onde trabalho para resolver algumas coisas e enquanto estava lá, enquanto estou me aproximando do 5º mês de home office por conta dessa quarentena – e todos os posts de 2020 vão ter essa coisa terrível como pano de fundo – posso dizer com certeza que existem algumas coisas que tinha no escritório e não tenho aqui e que me fazem falta:

  • Silêncio. A possibilidade do escritório inteiro ficar no mais absoluto silêncio, sem vizinho chato falando alto, sem cachorro latindo, sem minha mãe falando alto com os alunos dela ou a obra do outro vizinho.
  • Arquivo. Minha empresa só tem base de dados digitalizada no servidor de 2015 para frente, mas como muitos membros dos grupos técnicos estão colaborando com a associação há mais tempo vira e mexe surge a necessidade de puxar alguma informação ou documento do começo da década e não ter essa facilidade muitas vezes é um saco. 
  • Respeito pelo horário. Sabe aquele senso comum de que no home office trabalhamos mais porque perdemos aquele senso de blocos de horário? Horário para chegar, horário de almoçar, horário de sair. No home office como a gente não tem nada para marcar isso, tem sido muito comum receber mensagens ou ligações pedindo para fazer isso ou aquilo enquanto almoço (claro que eu geralmente espero para terminar o horário certo, mas nem sempre rola), ou perceber que passei do expediente esperando a resposta de algum e-mail. 

Agora outras coisas que o home office – ainda que forçado – me proporcionou e que com certeza farão falta quando eu tiver que voltar:

  • Dormir. Atualmente meu expediente começa as 08h30, então acordar 1 hora antes só e poder fazer toda a minha rotina matutina com calma antes de logar no computador ta sendo ótimo. Antes para estar no trabalho (antes) das 8h eu tenho que sair de casa às 6h/6h30 para aproveitar a carona com a minha mãe e nunca rolava as oito horas de sono que a gente sabe que precisa. 
  • Flexibilidade para fazer outras coisas. Alguns dias no trabalho são absolutamente tediosos e consigo completar minha to-do list logo pela manhã o que me deixa com a tarde livre. No escritório, usando o computador – velho e lento – da empresa eu fico muito limitada ao que posso fazer nos meus projetos pessoais, poder usar meu notebook que é melhor me dá a chance de escrever posts para o blog, editar projetos de design, fazer exercícios ou simplesmente ir pra varanda dos meus pais ver a vida passar e isso é muito bom. 
  • Comodidade de ficar em casa. Também conhecida como não ter que aguentar o transporte público em horário de pico, principalmente se o metrô tem alguma falha 5 minutos antes de você sair do trabalho e ter que esperar 758 trens passarem pra você conseguir entrar e ir feito uma sardinha enlatada com o resto do proletariado. Ou ter uma cadeira boa para sentar, uma escrivaninha com espaço suficiente para se organizar e etc.  

Claro que eu tenho muita sorte de ter mantido meu emprego e ter a possibilidade de trabalhar de casa, evitando me expor ao vírus, mas confesso que se fosse em situações normais eu ainda preferiria a opção de trabalhar em casa mais dias da semana do que no escritório. Infelizmente minha posição atual não me possibilita isso em condições normais, por isso vou aproveitando enquanto posso. 

desconectada

Às vezes a vida tem coisas demais.

Informações demais, cores demais, gente demais, opiniões demais.

Às vezes a gente só precisa se desconectar. Desapegar do feed interminável cheio de coisas interessantes (ou nem tanto) pra ver, não tuitar aquela reclamação que não vai realmente melhorar o nosso problema, não ouvir o que quer que as pessoas tenham pra dizer sobre o que quer que seja a discussão do momento.

Às vezes ter como única distração os joguinhos do celular é o suficiente, e quando não é, veja só, a gente encontra o tempo pra estudar a conjugação de verbos numa língua nova, para arrumar o quarto, hidratar o cabelo, prestar atenção de verdade na série que estamos vendo ou simplesmente deixar a mente descansar e dormir.

Passei três dias longe das duas redes sociais que mais consomem meu tempo no fim de semana passado e, apesar de ter estranhado, foi uma experiência muito boa. No domingo à noite reinstalei tudo mas não consegui passar muito mais tempo, ainda mais no twitter onde a informação corre a 200km/h, eu me senti zonza por não fazer ideia do que as pessoas estavam falando. O instagram foi algo mais fácil, a armadilha de perder tempo que é o stories é tão sutil que a gente gasta uma hora ali sem nem perceber, mas mesmo assim perdi um pouco da paciência ao perceber que o conteúdo em nada se alterou nas minhas quase 72 horas de ausência. 

Definir prioridades e com o que eu gasto meu tempo sempre foi algo muito difícil pra mim, tenho o péssimo hábito de escolher o que é mais fácil ou que parece mais divertido e nessa acabo me prejudicando e não conseguindo atingir meus objetivos. O bom de ficar mais velha é que acabei percebendo que tudo isso está dentro do meu controle e as desculpinhas que antes eu me dava começam a me irritar. Acho que todo mundo passa por essa etapa na vida de realização de “nossa, a vida é minha mesmo né?” e resolve tentar tomar vergonha na cara e melhorar. 

Quanto mais o tempo passa minha régua pesa mais do que a régua dos outros e sinto mais e mais a necessidade de ser honesta com quem eu realmente sou ao invés de tentar atender às expectativas dos outros. É um processo complicado e muito confuso que quase nunca rende um texto coeso.

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Foto de Prateek Katyal no Pexels

Hoje resolvi desinstalar o twitter do celular de novo, vou me afastar mais um pouco porque o que eu preciso agora não é do escapismo das redes sociais, mas sim focar o olhar para mim e os caminhos a minha frente e tomar algumas atitudes. E se por um lado eu me desconecto dos outros, por outro eu me reconecto aqui. Com a minha história, minhas experiências e minhas descobertas. 

these are a few of my favorite things

Falar que a vida não anda fácil é a mesma coisa que dizer que a terra é redonda.  Há quem ache que não e que é tudo intriga da oposição, mas é uma verdade incontestável.

Eu poderia fazer uma lista relativamente longa das coisas que ainda quero mudar porque não me satisfazem e dos problemas que não consigo resolver, mas outra verdade incontestável é que reclamar eternamente não vai mudar muita coisa. Por isso ando vendo a importância de celebrar – e agradecer – pelos momentos de alegria e plenitude por mais raros ou breves que eles sejam.

Lembrar que, apesar de difícil, viver é bom e experimentar as coisas do mundo fazem até as dores de cabeça valer a pena.

Conversar sobre a vida por horas a fio com um amigo querido, aproveitar o dia de sol depois de tanta chuva, conhecer um café novo num espaço gostoso, reencontrar pessoas que você viu pela última vez há uma década e capturar esses momentos numa foto. Coisas tão simples que tomamos por tão certas que quando não podemos ter ficamos desconcertados.

Esse post tinha um outro rumo antes do mundo entrar numa pandemia e todos se trancarem em casa (pelo menos os que tem esse privilégio). No entanto, apesar dos dias que já eram difíceis terem ficado ainda mais desafiadores, tentar manter uma atitude positiva ainda é um jeito de não enlouquecer. Encontrar abrigo emocional em coisas que nos trazem alegria é um jeito de lidar com a conjuntura mundial atual. Por isso vim compartilhar algumas das minhas coisas preferidas dentro de casa.

Fazer handletterig ou simplesmente escrever para limpar a mente.

deixar algumas pedras para limpara a energia do ambiente e queimar incensos ajudam quando a cabeça não para

arrumar meu quarto e deixar coisas fofas à vista

cuidar do meu cacto de estimação