125 dias

Quase 2 meses desde a primeira postagem falando sobre a atual conjuntura mundial que já não é mais tão mundial assim. Os 68 dias viraram 125, cento e vinte e cinco dias, são exatas três mil horas da minha vida que eu passei em semi confinamento. Eu vejo os jornalistas nas estações de metrô de São Paulo e penso que faz cento e vinte e dias que eu não rolo a catraca pra ir pra lugar nenhum. 

Foram 5 aniversários não comemorados de amigos – incluindo o meu – com aquela bagunça usual que envolve aglomeração, dividir bebidas, abraços e muita risada. A Fran outro dia me mostrou uma matéria que falava sobre redução de danos para as pessoas que estão começando a sofrer com esse isolamento voluntário e prolongado e, apesar de entender e até apoiar essa postura, eu particularmente ainda não consigo me desprender das nóias que envolvem sair para qualquer coisa que não seja o mercado ou a farmácia porque apesar de me alienar tanto quanto possível, ainda me espanta o número de mortes que só cresce e me preocupa o fato dos meus pais serem do grupo de risco.

125 dias depois as faltas que pesam mais, além da mera liberdade de poder ir e vir como eu bem entender, são as escolhas do cotidiano que contribuem para uma mente minimamente sã: Ir ao parque andar de bicicleta (alugada, sem ter ideia de quem possa ter usado antes de mim), sair com meus amigos para aqueles lugares de sempre, escolher descer umas estações antes do trabalho e fazer o resto do percurso a pé, ir pra academia, ir ao shoppíng com meu irmão só pra bater perna. São atividades que eu jamais poderia fazer com tranquilidade mesmo que esses lugares já estejam reabrindo.

O simples fato de não me preocupar com a saúde de quem está ao meu redor e como isso pode prejudicar a mim ou a minha família.

Vejo o governo tentando voltar a sociedade para um molde que já era errado antes, que já não funcionava antes e que está destinado a acabar algum dia, seja do jeito que for, tentando consertar uma fundação condenada, usando a população como uma coluna de apoio para que o dinheiro continue girando e foda-se se morrerem 100, 200, 500 mil pessoas. 

São 125 dias de desesperança e decepção. Quantos mais ainda virão?

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